Venezuela tem homenagem a Hugo Chávez e protestos contra Maduro

Por Caio Cuccino Teixeira
Hugo Chávez é relembrado nas comemorações| Jorge Silva/Reuters Hugo Chávez é relembrado nas comemorações| Jorge Silva/Reuters

Seguidores do ex-líder venezuelano Hugo Chávez saíram às ruas do país nesta quarta-feira para lembrar o primeiro aniversário da sua morte, o que representa um alívio para seu sucessor, Nicolás Maduro, que há um mês tenta conter protestos violentos.

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Um ano depois de Chávez morrer em consequência de um câncer, um desfile militar e outras homenagens foram para Maduro uma oportunidade de recuperar as ruas e mostrar aos adversários que ele também é capaz de mobilizar as massas.

Milhares de chavistas se reuniram em comícios em Caracas e outras localidades em homenagem a Chavez, cujos 14 anos no poder lhe valeram a adoração dos mais pobres no país.

Os estudantes, porém, levantaram barricadas em várias ruas de Caracas e outras cidades em todo o país, desde antes do amanhecer. Um homem de 26 anos morreu no oeste do estado de Táchira, quando ele bateu com o carro ao desviar para evitar um bloqueio criado por manifestantes.

Nicolás Maduro, sucessor de Chávez, comandou uma parada em homenagem ao líder morto | Carlos Garcia/Reuters Nicolás Maduro, sucessor de Chávez, comandou uma parada em homenagem ao líder morto | Carlos Garcia/Reuters

Maduro comandou um desfile na capital antes de ir para o museu militar no local onde Chávez liderou uma tentativa de golpe em 1992 que lançou a sua carreira política, e onde os seus restos mortais foram colocados para descansar em um sarcófago de mármore.

“Hugo Chávez passou para a história como o redentor dos pobres”, disse Maduro.

Análise – A pequena Veneza

Newton Carlos – Jornalista

Venezuela, ou “pequena Veneza”, foi o nome dado à região do lago Maracaibo pelos primeiros exploradores. Seria a fantasia de um Eldorado. Em 1922, os jornais venezuelanos falaram da “explosão do petróleo”. Iria financiar esperanças e maldades na política. Nos anos 40, foi criada a Ação Democrática, partido de centro-esquerda, mas continuaram mandando militares corruptos, latifundiários obstinados e grandes negociantes. O petróleo financiou a ditadura do general Perez Jimenez, derrubado em 1958. Desde então, se alternaram no poder a AD e um partido de origem clerical, o democrata-cristão Copei, na mais longa “continuidade democrática” do continente. Surgiu Chávez. Golpista fracassado, elegeu-se e criou mecanismos arrasadores. Do ponto de vista legal, para perpetuar-se. Herdou-os seu sucessor. Para entender o chavismo radiografe-se a “continuidade”. Os pobres ultrapassaram a metade dos 23 milhões dos habitantes. Um abismo, na Venezuela, entre a opulência do Estado e a miséria da grande maioria. O Plano Marshall, que ajudou a Europa a recuperar-se da guerra, custou US$ 13 bilhões. A Venezuela, faturou no mesmo período algo como 20 Planos Marshall.

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