Reunião sobre a crise na Ucrânia não apresenta progresso

Por Caio Cuccino Teixeira
Ativistas pró-Rússia fazem manifestação em Yevpatoria | Maks Levin/Reuters Ativistas pró-Rússia fazem manifestação em Yevpatoria, no sul da Ucrânia | Maks Levin/Reuters

Uma reunião diplomática de alto nível para tentar resolver a crise na Ucrânia fez pouco progresso em Paris nesta quarta-feira, marcadas pelo desacordo entre Rússia e Estados Unidos e a recusa do chanceler russo de se encontrar com seu colega ucraniano.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse que as discussões continuarão e que deve se reunir com o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, novamente em Roma nesta quinta. “Não pense que não tivemos conversas sérias que produziram ideias criativas e adequadas sobre a forma de resolver isso, temos uma série de ideias sobre a mesa”, disse Kerry após reunião com ministros de Ucrânia, Rússia, Grã-Bretanha e França.

“Estamos todos preocupados com o que está acontecendo lá”, disse Lavrov a jornalistas ao deixar o Ministério das Relações Exteriores francês.

“Nós concordamos em continuar essas discussões nos próximos dias para ver a melhor forma de ajudar a estabilizar e normalizar a situação e superar a crise.”

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em uma reunião em Bruxelas, anunciou a suspensão de sua cooperação com a Rússia para tentar pressioná-la a aliviar a tensão na Ucrânia e suspendeu planos de uma missão conjunta para acabar com as armas químicas da Síria. A Otan afirmou que irá intensificar seu envolvimento com a nova liderança da Ucrânia.

A União Europeia ofereceu ao novo governo ucraniano, pró-ocidental, uma ajuda financeira no valor de US$ 15 bilhões nos dois próximos anos desde que o país chegue a um acordo com o Fundo Monetário Internacional. A Alemanha, maior economia da UE, prometeu ainda uma ajuda financeira bilateral.

O novo ministro das Finanças ucraniano, Oleksander Shlapak, provocou a queda no valor dos títulos ucranianos e no mercado cambial ao dizer que a combalida economia do país poderá iniciar negociações com os credores para reestruturar sua dívida em moeda estrangeira.

Análise – A grande Rússia

Milton Blay – correspondente das Rádios Bandeirantes e BandNews FM, em Paris, na França

Vladimir Putin pode até negar, mas a verdade é que a Crimeia foi invadida pelas tropas russas, sob o argumento da defesa das minorias russófonas na Ucrânia, que nem foram atacadas.

Claro que o objetivo do chefe do Kremlin é outro, sua gesticulação faz parte da ambição antiga de reviver os tempos gloriosos da União Soviética. Putin é um saudosista da grande Rússia, sem o comunismo.

O projeto de Putin é criar uma União Euroasiática a partir de acordos que transformariam os vizinhos em semicolônias. As autoridades russas defendem a ideia de que têm todos os direitos de defender militarmente a sua zona de influência. Ou seja, de fazer hoje com a Crimeia o que fez, há 20 anos, na Abkházia e Ossétia do Sul, que se separaram da Geórgia para se aproximar de Moscou.

Alguns analistas consideram o militarismo de Putin perigosíssimo, pois o seu sonho, embora não tenha sustentação econômica nem política, pode provocar uma guerra generalizada.

A ex-secretária de estado norte-americana, Hillary Clinton, vê uma repetição da história: Hitler invadiu a Tchecoslováquia em 1938 e anexou parte do país em nome da defesa da minoria alemã, enquanto Londres e Paris aceitavam o fato consumado, nos acordos de Munique. Sabemos o resultado.

Europeus e americanos não vão declarar guerra à Rússia pelos belos olhos da Ucrânia. Mas lavar as mãos também não é solução. Uma Ucrânia jogada no caos criaria uma situação desestabilizadora na Europa central, nos Balcãs e até na Rússia.

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