Dois mil soldados russos desembarcam no sul da Ucrânia

Por fabiosaraiva

Dois mil soldados russos desembarcaram na Crimeia. O território, que fica na região sul da Ucrânia, vive um clima de tensão desde quarta-feira, quando apoiadores de Moscou começaram a pressionar pela queda do governo local.

A informação sobre a chegada das tropas russas foi dada pelo embaixador da Ucrânia na ONU. Segundo o diplomata, os militares estão fortemente armados. A Rússia mantém uma base aérea na Crimeia desde a época em que o país vizinho pertencia à União Soviética.

O Kremelin não informou se as tropas foram deslocadas para a unidade militar, ou irão patrulhar as ruas. O Conselho de Segurança das Nações Unidas está reunido em Nova York – a portas fechadas – para discutir a manobra de Moscou.

O presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchynov, fez um pronunciamento, em que acusou o líder russo Vladmir Putin de estar pressionando pela violência, e buscando um confronto com Kiev. Ele pediu que a Rússia pare com as provocações.

O secretário de Estado americano, John Kerry, declarou que os Estados Unidos observam com preocupação os últimos acontecimentos na Ucrânia. A região da Crimeia mantém forte influência da Rússia, muito pela proximidade geográfica com o vizinho.

Na quinta-feira, um grupo armado tomou as sedes do Parlamento e do governo. Moradores escreveram em redes sociais que os rebeldes hastearam bandeiras russas nos prédios públicos.

Mais cedo, dois aeroportos da Crimeia foram ocupados por homens armados. As suspeitas recaem sobre a Rússia.

A Ucrânia também denunciou nesta sexta-feira a violação de seu espaço aéreo pela Rússia, e pediu o retorno imediato das aeronaves para suas bases, em um comunicado divulgado no site do Ministério das Relações Exteriores.

“O Ministério das Relações Exteriores protestou em uma nota transmitida à Rússia contra a violação do espaço aéreo ucraniano (…) e exigiu o regresso imediato dos militares as suas bases”, diz o texto.

Os voos previstos para a noite desta sexta-feira e para o sábado com destino ao aeroporto de Simferopol, capital da Crimeia, foram cancelados devido “aos últimos acontecimentos” na região, onde militares não identificados e civis pró-Rússia patrulham a região, segundo um porta-voz em Kiev.

 


O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) fez na tarde desta sexta-feira uma reunião a portas fechadas para examinar a situação na Ucrânia. A reunião foi convocada pela Lituânia, que exerce a presidência rotativa do organismo em fevereiro, a pedido da Ucrânia.

Ao término do encontro, o embaixador da Ucrânia na ONU, Iuri Sergueyev, disse à imprensa que o aumento da presença militar russa na Crimeia representa “um desafio para a segurança e para a paz da região e um desafio para a integridade territorial” de seu país. Ele acrescentou que o novo governo ucraniano, instalado após a destituição do então presidente Viktor Yanukovytch, considera que as tropas russas estão incitando o “separatismo e o enfrentamento”.

Em sua chegada, o embaixador britânico na ONU, Mark Lyall Grant, disse que “todos os países-membros do Conselho de Segurança são respeitosos da integridade territorial e da soberania da Ucrânia”. Segundo ele, “essa é uma ocasião importante para expressar nossa preocupação frente à situação na Crimeia e pedir a todas as partes que diminuam a tensão”.

Em Kiev, um alto funcionário ucraniano informou que 13 aviões russos que estariam transportando cerca de dois mil soldados aterrissaram em uma base aérea militar perto da capital regional da península da Crimeia.

Sergeyev declarou ter sido informado da presença de dez aeronaves russas, que as descreveu como helicópteros de ataque MI-24.

O porta-voz das Nações Unidas, Martin Nesirky, disse que a ONU trabalha por uma “desescalada” no conflito e pelo respeito da integridade territorial da Ucrânia.


Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo