Violência explode e mortos em protesto na Ucrânia chegam a 26

Por george.ferreira

O balanço mais recente do ministério da Saúde da Ucrânia registrou 26 mortes desde a explosão da violência na terça-feira em Kiev e 241 feridos hospitalizados, incluindo 79 policiais e cinco jornalistas. Um repórter do jornal “Vesti” morreu ao ser atingido por tiros perto do cenário dos confrontos, anunciou a publicação.

A violência atingiu outras regiões da ex-República Soviética. Em Leopolis, os manifestantes assumiram o controle de prédios públicos e de depósitos de armas.

O presidente Viktor Yanukovytch denunciou uma insurreição na Ucrânia, abalada por confrontos nas últimas horas, que deixaram pelo menos 26 mortos no centro de Kiev, ocupado pela oposição.

Veja as imagens dos confrontos em Kiev:


O governo dos Estados Unidos e a EU (União Europeia) pediram a Yanukovytch a retomada do diálogo com a oposição, enquanto a Rússia acusou os ocidentais. As manifestações começaram em novembro, quando o governo decidiu repentinamente suspender as negociações de associação com a UE e estreitar as relações econômicas com a Rússia.

Em um discurso à nação – exibido durante a madrugada após um encontro infrutífero com líderes da oposição -, o presidente do país acusou os manifestantes de terem ultrapassado os limites com a defesa de uma “luta armada” para assumir o poder com uma insurreição. “Esses supostos políticos tentaram tomar o poder infringindo a Constituição por meio da violência e dos assassinatos”, disse o presidente, que prometeu que os responsáveis deverão “responder à justiça”.

Ofensiva

Os confrontos começaram na terça-feira nas imediações do Parlamento. Durante a noite, as forças de segurança iniciaram uma ofensiva com gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral contra Maidan, a Praça da Independência de Kiev, epicentro dos protestos.

Na manhã desta quarta-feira, milhares de manifestantes permaneciam no local, diante das barreiras policiais. Sacerdotes, artistas e políticos se sucederam durante a noite em um palanque montado na praça, onde o hino nacional foi tocado várias vezes.

Os policiais assumiram posição ao redor do monumento no centro da esplanada às 4h, após o uso de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral. As barracas próximas do monumento pegaram fogo. Como proteção, os opositores utilizaram o fogo. Um veículo blindado foi incendiado.

O governo impôs na terça-feira o estado de emergência de fato: o metrô de Kiev foi fechado e as autoridades anunciaram um “limite” do tráfego em direção à capital a partir da meia-noite, para evitar “uma escalada da violência”.

Apesar das críticas da comunidade internacional, Yanukovytch exigiu que os manifestantes abandonem a praça, afirmaram os líderes da oposição após uma reunião na noite de terça-feira. Vários andares da Casa dos Sindicatos, transformada em quartel-general dos manifestantes em Maidan, foram atingidos por um incêndio.

“Ficaremos aqui”

“O presidente propôs que nos rendamos. Ficaremos aqui com os manifestantes”, declarou um dos líderes da oposição, Arseni Yatseniuk, à emissora de televisão “Kanal 5”. “O governo desencadeou uma guerra contra o próprio povo”, declarou outro líder do movimento, o ex-campeão de boxe Vitali Klitschko.

A violência ameaça afetar o restante da Ucrânia. Em Leopolis, reduto dos protestos na região oeste, 5 mil manifestantes assumiram o controle das sedes do governo local e da polícia, assim como de prédios militares e depósitos de armas.

Repercussão mundial

A Rússia atribuiu a explosão de violência aos ocidentais, que “fecham os olhos para as ações agressivas das forças radicais na Ucrânia”. Em Washington, o vice-presidente dos Estados Unidos Joe Biden se declarou “consternado” e pediu a Yanukovytch a retirada das forças de segurança das ruas, além da retomada urgente do diálogo com a oposição.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, alertou para a possibilidade de sanções da UE contra autoridades ucranianas. Já o primeiro-ministro polonês Donald Tusk considerou que a Ucrânia está ameaçada por uma “guerra civil”, com consequências para a segurança e a estabilidade de toda a região.


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