Coreias discutem reunião de famílias separadas pela guerra

Por Tercio Braga
Mulher pendura recado para parente na grade entre as duas Coreias | Han Jae-ho/Reuters Mulher pendura recado para parente na grade entre as duas Coreias | Han Jae-ho/Reuters

As delegações da Coreia do Norte e do Sul realizaram suas reuniões de mais alto nível em anos nesta quarta-feira, buscando discutir pontos em comum para melhorar seus laços, apesar de uma polêmica sobre exercícios militares conjuntos entre os sul-coreanos e os Estados Unidos.

As discussões na aldeia fronteiriça de Panmunjom não tinham uma agenda fixa, mas seu objetivo era cobrir uma gama de questões importantes, incluindo uma reunião dos dias 20 a 25 de fevereiro de membros de famílias divididas pela Guerra da Coreia.

Um diálogo curto pela manhã foi seguido por três horas de discussões durante a tarde, depois da qual os dois principais delegados iniciaram uma sessão particular às 19h15 locais (8h de Brasília).

‘Atitude aberta’

A delegação do Sul era liderada pelo funcionário de alto escalão do Conselho de Segurança Nacional Kim You-Hun, que afirmou que o objetivo de Seul era garantir que a reunião avançasse, como o previsto.

Também era esperado que o Norte, liderado por Won Tong-Yon, vice-chefe de uma organização do partido no poder que controla os laços intercoreanos, pressionasse novamente para a Coreia do Sul cancelar seus exercícios militares conjuntos com os Estados Unidos, que devem ter início no dia 24 de fevereiro.

Antes das discussões começarem, Kim You-Hun prometeu manter “uma atitude aberta para explorar a possibilidade de iniciar um novo capítulo na península coreana”. Ele não mencionou se o programa nuclear da Coreia do Norte seria discutido na ocasião.

Esta foi a primeira reunião de alto nível entre os dois lados desde 2007, e ocorreu um dia antes da chegada do secretário americano de Estado, John Kerry, a Seul para uma breve visita focada na Coreia do Norte.

O Norte deseja retomar as negociações com Seul e Washington sobre questões nucleares, mas ambos insistiram que Pyongyang deve primeiro adotar um compromisso tangível para abandonar as armas nucleares.

O encontro de Panmunjom foi solicitado por Pyongyang e foi parar nas manchetes dos jornais do Sul.

No entanto, não mereceu quase nenhuma menção na imprensa estatal do Norte, com a agência de notícias oficial KINA divulgando um comunicado de apenas uma linha nesta quarta-feira.

Norte busca concessões

Kim Yong-Hun, um especialista em Coreia do Norte na Universidade Donging de Seul, explicou que Pyongyang fez questão de fazer uma exibição pública de suas credenciais diplomáticas.

A Coreia do Norte “quer demonstrar uma vontade de melhorar os laços com o Sul, a fim de obter concessões de Seul e de outros”, declarou Kim, advertindo que era cedo para esperar qualquer avanço importante.

O Norte também deve querer encorajar uma retomada dos passeios sul-coreanos ao seu resort de Monte Kumgang.

O Sul suspendeu os passeios depois que um turista foi baleado e morto por soldados norte-coreanos em 2008, e Pyongyang está ansiosa para ver o retorno do que foi uma lucrativa fonte de divisas.

O sucesso do futuro encontro entre famílias seria a chave para Seul considerar retomar os passeios.

“Se a primeira etapa correr bem, será possível passar para o próximo nível, ampliando o âmbito da cooperação intercoreana em uma velocidade mais rápida”, declarou o ministro da Unificação do Sul, Royo Kohl-Jae, na terça-feira.

No entanto, há temores de que o Norte possa cancelar o evento em protesto contra os exercícios militares entre Coreia do Sul e Estados Unidos.

Pyongyang encara os exercícios como ensaios para uma invasão e exigiu repetidamente que Seul os cancele, alertando, certa vez, para um “holocausto inimaginável” caso eles prossigam com as manobras conjuntas.


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