Europa alerta Suíça sobre restrições à imigração

Por Caio Cuccino Teixeira
Placa de um posto de alfândega na fronteira suíça | Denis Balibouse/Reuters Placa de um posto de alfândega na fronteira suíça | Denis Balibouse/Reuters

A Suíça pode perder seu acesso privilegiado ao mercado único da Europa, disseram nesta segunda-feira funcionários do bloco. O alerta veio depois que eleitores suíços aprovaram no domingo — por margem muito pequena — uma proposta para restringir a imigração de cidadãos da União Europeia no país.

A proposta foi patrocinada pelo Partido do Povo Suíço, de direita. O partido se aproveitou das preocupações de que a cultura suíça estaria sendo corroída por estrangeiros, que são 25% dos 8 milhões de habitantes.

Os limites à imigração foram contestados pela indústria suíça e o governo em Berna, que agora está na desconfortável posição de ter que transformar o resultado do referendo em lei e conter a reação de Bruxelas e de grandes vizinhos, como Alemanha e França.

“A Suíça se prejudicou muito com este resultado”, disse o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier. “Picuinhas com a UE não são uma boa estratégia de longo prazo.”

A livre circulação de pessoas e postos de trabalho dentro de suas fronteiras fazem parte de uma das políticas fundamentais da UE. A Suíça, embora não seja um membro do bloco de 28 nações, tem participado disso sob um pacto com Bruxelas.

Estão na Suíça empresas de alimentos e bebidas, como Nestlé, as farmacêuticas Novartis e Roche, além de negociantes de commodities.

Saia-justa – Acordos podem cair

Desde 2002, a Suíça e os cidadãos da UE podem atravessar a fronteira livremente e trabalhar em qualquer um dos lados, desde que tenham um contrato ou sejam trabalhadores autônomos.

Autoridades da UE disseram que o tratado de livre mobilidade faz parte de um pacote de sete acordos que não podem vigorar separadamente: se um deles é suspenso, todos perdem a validade.

Os acordos abrangem também a cooperação econômica e tecnológica, contratos públicos, aceitação mútua de diplomas e licenças, comércio agrícola, aviação e tráfego rodoviário e ferroviário.

“Nós não podemos aceitar as restrições aprovadas ontem (domingo)”, disse a porta-voz da Comissão Europeia, Pia Ahrenkilde. “Isto terá implicações para o resto dos acordos com a Suíça.”

As empresas dizem que a reintrodução das cotas de imigração, aprovada por uma margem de apenas 19.526 eleitores, ameaça a economia suíça que depende da UE para quase um quinto de seus trabalhadores.


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