União Europeia anuncia pacote de ajuda econômica à Ucrânia

Por Caio Cuccino Teixeira
Manifestantes pró-europeus entraram em confronto com a polícia em Kiev | Gleb Garanich/Reuters Manifestantes pró-europeus entraram em confronto com a polícia em Kiev | Gleb Garanich/Reuters

A União Europeia anunciou nesta segunda-feira a preparação, junto aos Estados Unidos, de um pacote de ajuda econômica para a Ucrânia, afundada em sua pior crise desde a independência, coincidindo com o retorno ao trabalho do presidente Viktor Yanukovitch após uma breve doença.

Yanykovitch precisa coordenar a formação de um novo governo após a renúncia em bloco do gabinete de Mykola Azarov na semana passada, e a negativa da oposição de entrar na equipe.

O presidente segue pressionado pelos manifestantes que ocupam o centro de Kiev, que não param de pedir sua renúncia e uma reforma constitucional que devolva poderes ao Parlamento.

Os opositores também exigem a libertação sem condições de seus simpatizantes detidos nos recentes confrontos com a polícia.

A União Europeia se envolveu nesta segunda-feira no conflito entre a oposição e o presidente Yanukovitch, anunciando que prepara junto aos Estados Unidos um importante programa de ajuda financeira para a Ucrânia.

Esta oferta daria aos líderes de Kiev uma alternativa à ajuda econômica fornecida por Moscou, que colocou sobre a mesa 15 bilhões de dólares em créditos e uma redução do preço do gás, depois que em novembro Yanukovitch decidiu não assinar um acordo de associação com a UE e se aproximar da Rússia.

Moscou, que já entregou três bilhões em ajuda, advertiu que a concessão do restante dependerá da situação política do futuro governo ucraniano.

Yanukovitch abordará a questão com a Alta Representante diplomática da UE, Catherine Ashton, que viajará em breve a Kiev.

Plano ucraniano da UE e dos EUA

Em uma entrevista publicada nesta segunda-feira no Wall Street Journal, Ashton confirmou a preparação de um pacote de ajuda financeira à Ucrânia, depois de contatos entre líderes ocidentais e a oposição ucraniana neste fim de semana na reunião de segurança de Munique (Alemanha).

Segundo ela, a UE e os Estados Unidos “desenvolvem um plano – um plano ucraniano, como sugeri que o chamassem – que analisa o que devemos fazer a partir de agora em diferentes setores da economia para melhorar as coisas”.

Ashton não informou nenhum valor preciso, mas declarou que o montante não será modesto e apontou como possíveis pistas conceder garantias financeiras, ajudas ao investimento ou fornecer apoio à divisa nacional.

A Rússia não reagiu até o momento a este anúncio, mas lançou uma advertência à oposição ucraniana, pedindo que renuncie às ameaças e ultimatos.

“A Rússia está muito preocupada pela aspiração das forças de oposição ucraniana de fazer com que a situação se deteriore mais no país”, afirmou o ministério russo das Relações Exteriores, lembrando que um opositor convocou a criar “unidades de autodefesa”.


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