União Europeia prepara estratégia para se aproximar de Cuba

Por fabiosaraiva
Europeus querem abrir caminho para aproximação | Sean Gallup/Getty Images Europeus querem abrir caminho para aproximação | Sean Gallup/Getty Images

A União Europeia vai fechar um acordo em fevereiro para aprofundar as relações com Cuba, na mais significativa aproximação da ilha desde que o bloco suspendeu as sanções diplomáticas em 2008, disseram à agência Reuters autoridades próximas às discussões.

Ministros das Relações Exteriores dos 28 países da UE darão o sinal verde em 10 de fevereiro para o lançamento de negociações com Havana para viabilizar um acordo especial de cooperação a fim de aumentar o comércio, o investimento e o diálogo sobre direitos humanos. O acordo deve ser selado no fim de 2015.

“Cuba quer capital, e a UE quer influência”, disse uma pessoa envolvida nas discussões, que pediu anonimato. “Essa cooperação pode ser o início de muito mais.”

Duas outras pessoas que sabem das negociações disseram à agência que um consenso foi alcançado em Bruxelas para dar apoio às reformas do presidente cubano, Raúl Castro, e para posicionar bem as empresas europeias no caso de uma transição de longo prazo para uma economia de  mercado.

Se o impacto inicial do acordo será limitado, o simbolismo é enorme para a UE. As relações com Cuba estão estremecidas desde que o bloco impôs sanções ao país em 2003 por causa da prisão de 75 dissidentes.

Os Estados Unidos, tradicionais oponentes de Cuba, que mantém um embargo à ilha desde 1962, não tentou impedir os recentes esforços do bloco, disseram pessoas próximas às negociações. Da mesma forma, a Polônia e a República Tcheca — também tradicionalmente contrários às conversações com os cubanos  – agora dão apoio a um acordo.

 

Uma maneira de promover mudanças

Um acordo de cooperação, mecanismo que a União Europeia usou no passado para fortalecer relações com a América Central e com a Ásia, não deve aumentar muito o comércio porque Cuba vende pouco para a Europa.

Além de charutos e rum, as exportações cubanas não despertam muito interesse no bloco, mas Bruxelas acredita que o desenvolvimento de negócios comuns é a melhor maneira de promover mudanças em Cuba.

A UE é o maior investidor externo de Cuba e segundo parceiro comercial da ilha, depois da Venezuela. Um terço dos turistas que os cubanos recebem todos os anos vem do bloco.

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