Partidos tradicionais estão à deriva na União Europeia

Por fabiosaraiva
A bandeira europeia sob lente de aumento | Marko Djurica/Reuters A bandeira europeia sob lente de aumento | Marko Djurica/Reuters

A Europa é de esquerda ou de direita? Se considerarmos que a esquerda aderiu à austeridade, que a direita se aliou à social-democracia e que os centristas navegam entre os dois campos, então teremos a resposta: a Europa não é de direita nem de esquerda, nem muito pelo contrário… Ela é o que dá para ser.

Ao invés de escolher entre os dois polos tradicionais, desgastados pelo poder e pela crise, dez dos 28 países do bloco optaram por grandes coalizões. São governos que misturam socialdemocratas, conservadores e os liberais. Nesse caso se encontra a Alemanha de Angela Merkel, primeira potência europeia. Ou ainda a República Tcheca, onde se formou uma bizarra coabitação entre socialdemocratas, centristas e populistas.

Amplas coalizões não são novidade em países do norte da Europa — Áustria, Finlândia, Alemanha. Em compensação, na Grécia como na Itália essa tendência surpreende.

A crise forçou os governos europeus, de todos os espectros políticos, a adotar uma atitude de cogestão baseada no rigor e estabilidade.

Na Espanha e em Portugal, hoje governados pela direita, as políticas de austeridade foram aprovadas pela oposição. Na França, a direita aplaudiu o “Pacto de Responsabilidade”, um leque de reformas baseadas na redução de impostos e cortes públicos, apresentado pelo desacreditado “socialista” François Hollande.

Com cinco “governos mistos” conduzidos pela esquerda e cinco outros dirigidos pela direita, o cenário político europeu poderia passar a imagem de um equilíbrio de forças em que cada partido soube superar as suas diferenças em nome do interesse geral. Nada mais enganador. Essas coalizões refletem o esgotamento eleitoral e ideológico dos grandes partidos. As correntes tradicionais tentam formar “partidos-cartéis”para resistir à ascensão dos extremos.

Em vão. Na França, uma pesquisa revela que a Frente Nacional, neofascista, tem 23% de intenções de voto nas próximas eleições europeias, contra 21% do partido de direita republicana e 18% do PS.

 

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