Parlamento ucraniano debate anistia a opositores presos

Por Caio Cuccino Teixeira
Oposição se reuniu com o Parlamento ucraniano para discutir anistia de manifestantes presos | Gleb Garanich/Reuters Oposição se reuniu com o Parlamento ucraniano para discutir anistia de manifestantes presos | Gleb Garanich/Reuters

O Parlamento ucraniano adotou nesta quarta-feira uma lei de anistia para os manifestantes detidos durante os confrontos com a polícia, mas apresentou condições que levaram a oposição a se abster.

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Após várias horas de negociações, o texto foi aprovado por 232 deputados, dos 416 presentes, sob os gritos de protesto dos parlamentares da oposição, e a sessão foi suspensa.

A lei estabelece como condição prévia para a libertação dos detidos que os opositores se retirem dos prédios que ocupam em Kiev há semanas.

O líder do partido nacionalista Svoboda (Liberdade), Oleg Tyagnybok, condenou a lei e comparou os opositores detidos a “reféns” porque não serão libertados até que os edifícios sejam desocupados.

O Parlamento, onde o Partido das Regiões, do presidente Viktor Yanukovitch tem maioria, estava reunido desde terça-feira em uma sessão extraordinária para tentar acabar com a crise atravessada pelo país.

Mais cedo, europeus e o governo russo – em lados opostos nesta crise -, esforçavam-se para ajudar a resolvê-la. Mas houve apenas repreensões de lado a lado.

Depois de uma conversa por telefone com Vladimir Putin, a chanceler alemã, Angela Merkel, pediu que o presidente russo colabore com um diálogo construtivo.

Já Putin alertou para “qualquer ingerência” nos assuntos internos da Ucrânia, algo considerado por ele inadmissível. Putin também deixou claro que vai “aguardar a formação do novo governo ucraniano” para se assegurar de que há como levar adiante os acordos concluídos em dezembro sobre uma ajuda de 15 bilhões de dólares.

Ucrânia “à beira da guerra civil”

Em declarações feitas durante a manhã diante dos deputados na retomada dos trabalhos parlamentares, Leonid Kravtchuk, primeiro presidente da Ucrânia depois da independência em 1991, ressaltou que seu país estava “à beira da guerra civil”.

“A oposição e o poder mantêm o diálogo para sair da crise (…). O governo, por sua vez, está preparado para garantir as condições necessárias para a estabilização nacional”, declarou o chefe interino de governo, Serguei Arbuzov.

Foi a primeira reunião do governo, encarregado de administrar os assuntos correntes, desde a demissão, na terça-feira, do primeiro-ministro, Nikola Azarov, e todo seu gabinete.

O clima era mais calmo nesta quarta no centro de Kiev, com algumas centenas de militantes da oposição usando capacetes e bastões para “patrulhar” a Praça da Independência. Algumas barricadas pareciam até mesmo ter sido abandonadas.

No único incidente de maior proporção, opositores membros de uma das principais formações do movimento de contestação na Ucrânia expulsaram outros militantes mais radicais do ministério da Agricultura.

Fora da capital, as sedes administrativas em quase metade das regiões permanecia em poder dos manifestantes, que exigem a renúncia dos governadores nomeados pelo chefe de Estado. Mas nessas localidades a situação também parecia estar mais tranquila.

O movimento de contestação na Ucrânia nasceu no final de novembro, após a decisão inesperada de Yanukovitch de desistir de assinar um acordo de associação negociado há anos com a União Europeia, para se aproximar da Rússia, que ofereceu em troca a concessão de um crédito de 15 bilhões de dólares e uma redução no preço do gás.

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