Argentina em crise cambial vale a pena para turistas brasileiros

Por fabiosaraiva
Fachada de uma casa de câmbio em Buenos Aires | Enrique Marcarian/Reuters Fachada de uma casa de câmbio em Buenos Aires | Enrique Marcarian/Reuters

A crise cambial vivida pela Argentina tem dois efeitos para o Brasil. O primeiro, negativo, é que a crise no país vizinho pode respingar no Brasil. O segundo, positivo, são  as vantagens que o peso desvalorizado traz para os turistas brasileiros em viagem por lá.

De acordo com Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, a Argentina é um dos principais parceiros econômicos do Brasil na América Latina junto com o Chile. E a crise argentina pode respingar negativamente sobre a economia brasileira e a manutenção de nossa credibilidade fiscal.

“Os potenciais investidores podem passar a olhar para cá com desconfiança”, disse ele em entrevista ao Metro Jornal.

Para Gilberto Braga, economista do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), esse é um risco baixo. “Antigamente, era muito comum essa associação entre os dois países”, disse ele. “Mas hoje em dia houve um descolamento das economias.”

Para os turistas brasileiros, a situação não podia ser melhor, graças ao aumento do poder de compra do brasileiro que está na Argentina. Com o peso a R$ 0,29, os preços ficam muito mais atraentes. Agostini diz que a vantagem de levar dinheiro — seja dólar, euro ou mesmo o real — em espécie é evitar o custo do IOF nas transações com cartões. “Tem a desvantagem de se carregar dinheiro vivo”, alertou ele. “Mas esse é um risco que corremos em qualquer viagem.”

 

Medidas emergenciais entram em vigor hoje

Entram em vigor hoje na Argentina medidas para afrouxar os controles cambiais. O país vai reduzir a alíquota do imposto sobre compras de dólares de 35% para 20% e permitirá aquisições da moeda norte-americana para contas de poupança.

Na semana passada, o peso registrou a maior queda frente ao dólar em quase 12 anos ao perder 11% devido às dúvidas sobre a economia e à falta de divisas.

A moeda fechou a 8 pesos por dólar no mercado interbancário, depois de cair 14,2%, a 8,30 pesos. Desde o início de janeiro, acumula perdas de 18,5%.

O peso no mercado negro argentino teve desvalorização de 7,2% na quinta-feira, fechando em 13,1 pesos por dólar, acumulando perda de 23,4% no ano. Na sexta, a cotação oficial do peso abriu em queda de 1,23% a 8,1 por dólar.

 

BC está atento aos efeitos colaterais

O Banco Central do Brasil acompanha atentamente a crise cambial na Argentina, segundo o chefe adjunto do Departamento Econômico, Fernando Rocha.

“A Argentina é um importante destino das exportações brasileiras e o Banco Central acompanha atentamente o desenvolvimento das condições econômicas gerais”, disse ele.

Sobre eventuais efeitos colaterais da crise cambial argentina na economia brasileira,

Rocha disse que temos fundamentos externos sólidos, “traduzidos na magnitude das [nossas] reservas internacionais”.

O chefe adjunto do BC lembrou ainda que o Brasil é credor líquido em moeda estrangeira.

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