Para cientistas políticos, Europa vive a crise depois da crise

Por fabiosaraiva
A Grécia está em crise, mas uma rebelião é possível? | Y. Behrakis/Reuters A Grécia está em crise, mas uma rebelião é possível? | Y. Behrakis/Reuters

Dias atrás, o jornal I Kathimerini – O Diario -, considerado um dos mais sérios da Grécia, questionava a respeito da gravíssima situação que o país atravessa: Uma rebelião popular é possível?

E o mesmo jornal respondia: Se isso acontecer, não virá “nem dos partidos políticos nem dos sindicatos”, mas sim de pessoas anônimas “que jamais imaginaram fazer tal coisa…”.

Kathimerini se referia, claro, à Grécia, mas vários cientistas políticos acreditam que esta ameaça difusa paira sobre outras democracias europeias, que emergem da recessão sem que isso tenha qualquer impacto sobre os altos níveis de desemprego e pobreza.

O fenômeno já ganhou até nome: “crise depois da crise” e alimenta a demagogia e o populismo, a poucos meses das eleições europeias.

Aqui na França, a alta do desemprego, a progressao geométrica das falências, das demissões em massa e os aumentos de impostos decididos pelo governo de François Hollande geram protestos espontâneos e multiformes. Acaba de ser criado, por exemplo, o movimento ras-le-bol fiscal, cujo objetivo é mostrar ao governo que a populaçao está de “saco cheio” de por a mão no bolso para cobrir deficits e dívidas.

Os esforços do presidente francês para equilibrar as contas públicas, que derrapam há quarenta anos, são criticados de todos os lados: as agências de classificação de riscos alegam que a França não faz o suficiente e reduzem a nota do país; a população e a esquerda pensam o contrário, que a austeridade já ultrapassou os limites, colocando em risco o estado de bem-estar.

Na Espanha, onde se esboça um tímido retorno ao crescimento, o desemprego continua sendo devastador, especialmente entre os jovens. Mais de 50% não têm trabalho. Na população ativa como um todo, um em cada quatro trabalhadores está desempregado. Mais de 20% correm o risco de cair na pobreza. Se em 2012 os indignados tomaram as ruas de Madri, hoje o desalento é generalizado.

O alerta pode ser sentido. Os nacional-populistas, fortes também na Holanda, Noruega, Suécia, Alemanha, Bélgica, Reino Unido, apostam tudo nas eleições de maio para o Parlamento europeu, com chances de, pela primeira vez, constituir um grupo parlamentar, cujo objetivo parece ser bloquear as instituições democráticas da velha Europa.

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