Especialista explica por que criminosos crêem serem melhores do que você

Por fabiosaraiva
Constantino  Constantino Sedikides | Arquivo pessoal

O efeito “melhor que a média” se aplica a todos, seja você o mais inteligente, o mais sensível ou simplesmente mágico. Mas uma nova pesquisa revelou que ser preso por crimes hediondos não muda essa percepção. Na verdade, só a aumenta, já que os presos acreditam que têm mais características “pró-sociais” do que as pessoas do lado de fora, diz o autor Constantino Sedikides, professor da Universidade de Southampton, no Reino Unido.

 

Por que os prisioneiros pensam assim?

Há muito tempo acredita-se que os criminosos sofrem de baixa auto-estima. Pesquisas recentes indicam o oposto. Criminosos e prisioneiros têm níveis mais altos de auto-estima, e certamente de narcisismo, do que os demais membros da comunidade. Sabemos por pesquisas anteriores que quanto maior a auto-estima ou o narcisismo, maior será o efeito “melhor do que a média”, de que falei em minha pesquisa. Então, eu posso supor que os presos provavelmente apresentam um efeito ainda mais forte do “melhor do que a média” do que os não prisioneiros. Esta é uma hipótese a ser rigorosamente avaliada em pesquisas futuras.

O delírio poderia ser responsável por seus crimes?

Talvez a ilusão de superioridade constitua uma razão para o excesso de confiança dos presos sobre não reincidir. As previsões dos prisioneiros sobre não cometer crimes novamente são geralmente imprecisas, como mostram  dados oficiais de que cerca de metade deles reincidem após um ano de sua libertação. Um argumento para a imprecisão de suas previsões é excesso de confiança. Sentir-se bem sobre si mesmos em relação aos outros (prisioneiros e membros da comunidade) pode atrapalhar seus julgamentos sobre a crença de que eles podem ter problemas quando são liberados.

 

Então, devemos tentar convencê-los de que eles não são tão bons?

Intervenções baseadas na prisão, que dependem de esforços para melhorar as habilidades de pensamento, têm como objetivo contestar equívocos que os criminosos podem ter sobre sua atitude ofensiva e o impacto de seu comportamento na sociedade. No entanto, os presos também devem ser encorajados a explorar a realidade da vida depois da prisão, ao mesmo tempo que deve ser oferecido apoio para superar os obstáculos que podem impedir sua reintegração.

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