Descartada morte por envenenamento de Yasser Arafat

Por Carolina Santos
Ex-líder palestino morreu em 2004, em um hospital militar francês | Getty images Ex-líder palestino morreu em 2004, em um hospital militar francês | Getty images

Foi descartada a tese de envenenamento do líder palestino Yasser Arafat, falecido em 2004 próximo à Paris. A indicação dos resultados foi feita nesta terça-feira por uma fonte próxima aos especialistas autorizados pela justiça francesa para investigar a morte.

 

Segundo a Radio France Inter, os especialistas concluíram que Arafat morreu “de velhice após uma infecção generalizada”. O sobrinho do falecido líder palestino Yasser Arafat e um líder palestino ligado ao caso expressaram nesta terça-feira ceticismo em relação ao relatório francês que descartou a teoria de envenenamento.

 

Em julho de 2012, a viúva do líder palestino, Suha Arafat, entrou com um pedido de investigação de assassinato junto ao tribunal de Nanterre após a descoberta de polônio, uma substância radioativa altamente tóxica, em objetos pessoais de seu marido. Segundo ela, o polônio teria sido administrado na vítima por um membro de sua comitiva.

 

Os juízes de instrução ordenaram a exumação do cadáver. As amostras biológicas foram recolhidas no dia 27 de novembro de 2012. Mais de 60 amostras foram enviadas para três equipes: uma suíça, uma russa e uma francesa. Cada uma realizou o trabalho de análise de forma independente, sem contato.

 

Os especialistas dos três países parecem divergir sobre a questão. Os relatórios recentes de exames médicos suíços e russos das amostras dos restos mortais de Yasser Arafat revelaram a presença de quantidades anormais de polônio-210 no corpo, apoiando a teoria de envenenamento.

 

A  equipe suíça indicou em seu relatório que foram medidas “atividades de polônio-210 nos ossos e tecidos até 20 vezes superiores às referências da literatura médica”. Os especialistas russos concluíram a impossibilidade de determinar se o polônio foi a causa da morte do líder.

 

Após a divulgação do relatório suíço, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, pediu a formação de uma comissão internacional para investigar o caso. “Israel é o primeiro, o principal e único suspeito no caso do assassinato de Yasser Arafat”, afirmou o presidente da comissão de inquérito palestina sobre a morte de Arafat, Tawfiq Tirawi.

 

O porta-voz do Ministério israelense das Relações Exteriores, Yigal Palmor, considerou nesta terça-feira que o anúncio dos especialistas franceses era previsível. “Israel não matou Arafat, e ponto final”, declarou.

 

Yasser Arafat morreu aos 75 anos em 11 de novembro de 2004. Ele foi transferido no final de outubro de 2004 para o hospital militar de Percy, perto de Paris, depois de sofrer de dores abdominais em seu quartel-general em Ramallah, onde vivia confinado desde dezembro de 2001, cercado pelo Exército israelense.

 

Um relatório do hospital francês, de 14 de novembro de 2004, indicou uma inflamação intestinal “de origem infecciosa” e distúrbios de coagulação “severos”, mas não revelou as causas da morte.

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