UE diz que ainda quer fazer a acordo com Kiev

Por Carolina Santos
Vale tudo para protestar contra o governo. Homem vestido como cossaco se aproxima das barricadas, na Praça da Inependência, em Kiev | Gleb Garanich/Reuters Vale tudo para protestar contra o governo. Homem vestido como cossaco se aproxima das barricadas, na Praça da Inependência, em Kiev | Gleb Garanich/Reuters

A União Europeia disse  que continua disposta a assinar o acordo comercial com a Ucrânia, apesar do desprezo do presidente Viktor Yanukovich, e tentou garantir a Moscou que o estreitamento das relações com Kiev não representa nenhuma ameaça para a Rússia.

Bruxelas também tentou encobrir divisões aparentes na sua abordagem da Ucrânia, enquanto o ministro das Relações Exteriores holandês repreendia um alto funcionário da UE por anunciar no Twitter a suspensão dos trabalhos no pacto comercial.

Yanukovich surpreendeu a UE no mês passado, ao abandonar no último momento planos para assinar um pacto de comércio e cooperação de longo alcance com o bloco de 28 países em favor de laços mais estreitos com a Rússia.

A decisão de rejeitar o acordo desencadeou protestos em massa na Ucrânia, que está à beira da falência. A atitude também levou a trocas de acusações entre Bruxelas e Moscou, que acusam um ao outro de pressionar Kiev.

Ministros da UE em Bruxelas disseram que as portas continuam abertas para a Ucrânia e que tentaram criar ambiente de diálogo com Moscou em conversas com o chanceler Sergei Lavrov.

“Os ministros confirmaram novamente hoje a disponibilidade da UE para assinar o acordo de associação”, disse a chefe de política externa da UE, Catherine Ashton, após a reunião. “Acreditamos que o acordo é a melhor maneira de enfrentar os desafios econômicos de curto prazo da Ucrânia.”

Ministros disseram a Lavrov que se a Ucrânia assinasse o acordo com a UE, não haveria um efeito negativo nas relações com a Rússia.

Lavrov disse que concorda com os ministros da UE que “devemos respeitar a soberania dos países, incluindo a Ucrânia, e permitir que os povos escolham como desenvolver o seu país”.

 

Análise: Um país à beira da implosão

 

Entra semana, sai semana, e as mesmas cenas se repetem: centenas de milhares de ucranianos se manifestando em pleno centro de Kiev, a capital, a favor de um acordo de associação com a União Européia, que o presidente Viktor Yanoukovych se negou a assinar.

O motivo dos protestos pode parecer absurdo, afinal por que querer se associar a um bloco que se encontra em crise financeira e social?

A explicação está na história deste país dividido: os ucranianos ocidentais querem abraçar a Europa democrática para não se tornar novamente um satélite russo, numa nova versão da União Soviética, o projeto geopolítico do presidente Vladimir Putin travestido em União Aduaneira.

As populações da parte ocidental se sentem europeias, enquanto no lado oriental as populações originárias da Rússia são favoráveis a Moscou.

Ao contrário de outros países da Europa do Leste, foi há nove anos que nasceu na Ucrania um verdadeiro movimento independentista  – a “revolução laranja” (cor usada pelos opositores indignados com a corrupção e a fraude eleitoral do candidato Yanukovich, apoiado pelo Kremlin).

Mesmo assim, a Rússia continuou a exercer uma forte influência. Hoje, a dívida ucraniana com o vizinho é de 60 bilhões de euros. O país, em dificuldade, não tem como reembolsar e a economia da região leste está entre as mãos dos russos.

Além disso, Moscou foi o elemento central, que com mão de ferro impôs uma unidade nacional inexistente.

Hoje, novamente, a Ucrânia está à beira da implosão, ameaçada de partição entre pro-europeus e pro-russos. Um país que só conseguiu se unir pela pressão externa corre o risco de se desunir pela mesma razão.

 

Milton Blay – Correspondente das Rádios Bandeirantes e BandNews em Paris, na França

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