Multidão força barreira para dar último adeus à Mandela

Por Carolina Santos
Sul-africanos enfrentaram horas, e até dias, para se despedir de Mandela | Yver Herman/ Reuters Sul-africanos enfrentaram horas, e até dias, para se despedir de Mandela | Yver Herman/ Reuters

O número de sul-africanos que quiseram dar seu último adeus a Nelson Mandela bateu todos os recordes nesta sexta-feira, com centenas de pessoas forçando as barreiras policiais no último dia de sua capela em Pretória.

Esta sexta-feira era a última oportunidade para que as pessoas vissem os restos mortais do ex-presidente, antes que sejam transferidos à localidade na qual Mandela passou sua infância e onde será enterrado no domingo, Qunu.

Cerca de 100 mil sul-africanos passaram pelo caixão de Nelson Mandela exposto desde quarta-feira na sede da presidência, segundo o governo.

Os milhares de sul-africanos enfrentaram horas, ou inclusive dias, em gigantes filas de espera.

Para muitos, a espera foi em vão e, no início da tarde, uma multidão forçou o acesso quando a polícia anunciou que não poderiam entrar na sala em que se encontra o caixão do primeiro presidente negro da África do Sul.

O grupo correu em direção ao anfiteatro do Union Buildings, a sede do Governo sul-africano, onde o corpo de Mandela era velado.

Os agentes tentaram deter um grupo que tentava entrar em um primeiro momento, pedindo que permanecessem na fila, mas acabaram cedende.

Este incidente foi isolado. A maioria das pessoas deixaram o local, apesar da frustração.

“Acreditávamos que conseguiríamos, mas não conseguimos ver o grande homem”, lamentou Lydia More, de 31 anos, após dois dias de espera. “Sinto-me vazia. É triste”.

No meio da manhã, 50.000 pessoas já haviam lotado as quatro zonas de espera, formando filas impressionantes de vários quilômetros. Às 10h30 (6h30 de Brasília), o governo pediu “à população que não venha mais”.

Mas muitos que passaram a noite no local não se conformaram em partir. “É uma ocasião única. Não voltaremos a nos ver nunca mais”, explicou Stanley Luvhimbe, que dirigiu 450 quilômetros para ver seu herói.

No início da tarde, a polícia começou a disperar a multidão. “Union Buildings está completamente lotado”, dizia um policial. “Nós fecharemos o local”.

 

“É decepcionante”, suspirava Denver Hitzaroth, que chegou às 07H30. Mas para Mandela “sete horas de espera, não é nada!”

“Ele fez tantos sacrifícios por nós, que o mínimo seria esperar algumas horas!”, completava Nomazize Tenza, que deixou Soweto –a 80 km de distância– às cinco da manhã.

O Nobel da Paz faleceu em 5 de dezembro aos 95 anos. Após o choque dos primeiros dias e das cerimônias oficiais no início da semana, as homenagens ganharam um tom mais triste desde a exposição do corpo ao público.

“Foi extraordinário estar aqui. Mas tenho o coração partido”, declarou ao sair do Union Buildings Paulus Mefadi, um soldado de 44 anos que marchou perante Nelson Mandela quando o líder sul-africano prestou juramento como presidente, em 1994.

O Dalai Lama também expressou sua “tristeza” durante uma teleconferência organizada pela fundação Mandela. “Mas esta tristeza não serve para nada. Ela deve ser transformada em vontade, em determinação” para fazer viver a mensagem de paz transmitida por este gigante da reconciliação, afirmou.

Apesar dos 27 anos de cárcere pelo regime racista do apartheid, Nelson Mandela perdoou seus inimigos e multiplicou os gestos em sua direção, o que lhe rendeu admiração universal.

“Comunicar com os ancestrais”
Na manhã de domingo, o país vai parar nas cerimônias do enterro de Mandela em Qunu (sul), o povoado de sua infância, primeiro na presença de personalidades e depois na mais estrita intimidade.

Diversas redes de lojas já anunciaram que permanecerão fechadas.

A primeira parte da cerimônia será realizada ante 5.000 pessoas, entre elas presidentes estrangeiros, e será transmitida pela televisão.

Posteriormente, será realizado o enterro, que estará “reservado rigidamente à família”, explicou Phumla Williams, uma porta-voz do governo.

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