Mandela recebe tributo em estádio de Johannesburgo

Por Carolina Santos
Seguranças e voluntários se reúnem na parte externa do estádio Soccer City, em Johannesburgo  | Siphiwe Sibeko/ Reuters Seguranças e voluntários se reúnem na parte externa do estádio Soccer City, em Johannesburgo | Siphiwe Sibeko/ Reuters

Mais de 70 chefes de Estado e governo são esperados na África do Sul esta semana para os funerais de Nelson Mandela. A maioria deve participar nesta terça-feira da homenagem ao ex-presidente no estádio Soccer City, em Johannesburgo.

“O mundo todo está vindo para a África do Sul”, disse Clayson Monyela, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, minimizando as preocupações com a logística e a segurança de um evento tão grande.

Depois da homenagem, que está sendo considerada uma reunião sem precedentes para celebrar a memória de um dos maiores pacifistas da humanidade, apenas alguns líderes irão ao funeral de Estado na cidade natal de Mandela, Qunu, em Cabo Oriental, acrescentou Monyela. “Estamos tentando manter a cerimônia para a família”, disse Monyela à Talk Radio 702.

A presidente Dilma Rousseff viajou ontem à África do Sul acompanhada dos ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma será uma das oradoras. O presidente cubano, Raúl Castro, o do Zimbábue, Robert Mugabe, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, também participarão.

O estádio de 95 mil pessoas no Soweto, bairro que abrigou a luta contra o apartheid, foi o local da última aparição pública de Mandela, que em 2010, dentro de um carrinho de golfe, acenou para a torcida na final da Copa do Mundo.

Mandela, primeiro presidente negro da história sul-africana, morreu na quinta-feira, aos 95 anos, cercado pela família, após uma longa batalha contra uma infecção pulmonar.

Após a celebração de hoje, o corpo de Mandela será velados durante três dias, em Pretória, onde ele tomou posse como presidente, em 1994. O enterro será no dia 15, na cidade de Qunu. 

 

Nas ruas, sul-africanos relembram Madiba

“Devo-lhe muitas coisas. Eu sabia que isso iria acontecer, mas não estava preparado”, diz Charles Ndlovu, de Thokoza, cidade a leste de Johannesburgo. Do lado de fora da casa de Nelson Mandela, no subúrbio de Houghton, onde ele morreu, o rapaz de 20 anos não consegue combater as lágrimas quando descreve como sua mãe começou a trabalhar e como ele conseguiu frequentar a universidade por causa de Mandela.

A história de Ndlova é apenas uma de milhares em toda a África do Sul e do mundo de pessoas cujas vidas foram pessoalmente tocada por Madiba.

No dia seguinte, vou até a Praça Nelson Mandela, em Sandton, um subúrbio rico de Joannesburgo, onde os moradores de todas as raças são vizinhos e podem desfrutar de um estilo de vida de classe média. Lá, tributos florais se acumulam sob a gigantesca estátua de Mandela.

Mas o clima causado pela morte de Madiba não é apenas de tristeza, mas de inspiração e esperança para o futuro. Chego à antiga casa de Mandela no subúrbio de Soweto, famoso por sua luta contra o apartheid. Jimmy Manyi, de 49 anos, ex-porta-voz do governo, fala sobre como desejou um milagre quando ouviu a notícia da morte de Mandela. “O espírito de celebração da Copa foi trazido de volta’, disse.

Lisa Dewberry – METRO internacional

 

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