Mais de 60 líderes internacionais devem homenagear Mandela

Por talita

A presidente Dilma Rousseff deve chegar nesta segunda-feira (9) à África do Sul, acompanhada dos ex-presidentes Lula, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor e José Sarney.

Mais de 60 líderes mundiais são esperados para os funerais de Nelson Mandela, entre eles Barack Obama e outros ex-presidentes americanos.

Milhões de sul-africanos participaram neste domingo (8) do Dia Nacional de Oração e Reflexão, uma homenagem ao líder morto aos 95 anos.

Nas ruas do país o clima é de comoção, informa o enviado da Band, Sérgio Gabriel. Os lugares mais frequentados por aqueles que lembram desde a semana passada o líder da luta contra o Apartheid são a antiga casa de Mandela, no Soweto, e uma praça que leva o nome do Nobel da Paz.

Para cobrir as homenagens a Madiba, como o ícone é conhecido na África do Sul, cerca de três mil profissionais da imprensa estão no país.

Trajetória


Nelson Mandela (1918-2013) nasceu em um pequeno vilarejo da região de Transkei, na África do Sul. Rolihlahla Dalibhunga Mandela começou a ser chamado de Nelson aos sete anos, quando tornou-se o primeiro membro de sua família a frequentar a escola primária, em Qunu. Dois anos mais tarde, seu pai morre e Mandela é enviado para outro colégio – desta vez próximo ao palácio do Regente.

De etnia Xhosa, o líder seguiu suas tradições e foi iniciado na sociedade aos 16 anos, quando passa pelo ritual de circuncisão. Ele seguiu para o Instituto Clarkebury, onde estudou cultura ocidental.

Ele mudou-se em 1934 para Fort Beaufort, onde começou o curso para se tornar bacharel em Direito na Universidade de Fort-Hare. Foi lá que Mandela se envolveu no movimento estudantil, o que lhe rendeu uma expulsão da universidade.

Foi em Johanesburgo que ele terminou a graduação na Universidade da África do Sul e, depois, continuou os estudos na Universidade de Witwatersrand.

Apartheid – da prisão à presidência

A faculdade de Direito foi o primeiro passo para que Mandela se envolvesse na oposição do regime do Apartheid (negava aos negros, mestiços e indianos, os direitos políticos, sociais e econômicos).

Em 1942, ele se juntou ao CNA (Congresso Nacional Africano). Dois anos depois, ao lado dos amigos Walter Sisulu e Oliver Tambo, forma-se a Liga Jovem do CNA.

Foi em 1948, quando os afrikaners (Partido Nacional), que apoiavam a segregação racial, venceram as eleições, que o líder tornou-se ainda mais ativo no CNA e tomou parte do Congresso do Povo (1955), em que divulgou a Carta da Liberdade (documento que revela um programa fundamental para a causa antiapartheid).

A partir de ataques contra negros, já nos anos 1960, Mandela tornou-se comandante do braço armado do CNA, o chamado Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação, na tradução livre), fundado por ele e outros militantes.

Em agosto de 1962, Nelson Mandela foi preso. A princípio, ele foi condenado a cinco anos de detenção por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Dois anos mais tarde, porém, veio a sentença de prisão perpétua por sabotagem e por conspirar na ajuda a outros países em uma suposta invasão à África do Sul.

Foram 27 anos de prisão, o que o transformou no maior símbolo da luta antiapartheid na África do Sul. Mesmo detido, ele conseguiu enviar cartas para organizar e incentivar a luta pelo fim da segregação racial no país. Durante o período, recebeu apoio de vários segmentos sociais e governos de diversos países.

Uma forte campanha do CNA e a pressão internacional conseguiram que ele fosse libertado em 11 de fevereiro, aos 72 anos, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk, com quem Mandela dividiu o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

Posteriormente, o líder foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul (de maio de 1994 a junho de 1999) e, durante o período, comandou a transição do regime de minoria no comando. Mandela ganhou ainda mais respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa.

Família

Nelson Mandela se casou três vezes. A primeira esposa, Evelyn Ntoko Mase, ficou ao lado do líder durante 13 anos – eles de divorciaram em 1957. Pouco depois, o ex-presidente sul-africano casou-se com Winnie Madikizela, com quem ficou casado por 38 anos. Eles se divorciaram em 1996, após divergências políticas entre o casal virem a público. Winnie foi mulher do líder durante toda a sua prisão. Dos 38 anos de casados, 27 foram passados à distância, praticamente sem se verem.

Já com 80 anos de idade, em seu aniversário, Nelson Mandela casou-se com Graça Machel, viúva de Samora Machel, antigo presidente Moçambicano.

O sul-africano teve quatro filhos com sua primeira esposa. Entretanto, apenas a mais nova continua viva. O filho mais velho, Madiba Thembekile, morreu aos 25 anos em um acidente de carro. O segundo filho do casal, Makgatho Mandela, morreu em 2005 vítima de Aids.

A terceira filha de Mandela com a primeira esposa morreu aos nove meses de idade, o que fez com que o casal batizasse a filha seguinte com o nome da irmã, Malaziwe Mandela.

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