Franceses sequestrados há 3 anos pela Al-Qaeda voltam

Por Carolina Santos
O francês Daniel Larribe é recebido por familiares em sua chegada | Joacky Naegelen/ Reuters O francês Daniel Larribe é recebido por familiares em sua chegada | Joacky Naegelen/ Reuters

Os quatro franceses sequestrados durante três anos no Sahel pela Al-Qaeda no Magreb Islâmico chegaram nesta quarta-feira a Paris, em meio a versões contraditórias sobre o pagamento ou não de um resgate milionário.

Procedentes de Niamey, capital do Níger,  Daniel Larribe, de 62 anos, Thierry Dol, de 32, Pierre Legrand, de 28, e Marc Féret, de 46, foram recebidos no aeroporto militar de VIllacoublay (periferia de Paris) pelo presidente François Hollande.

Os ministros franceses das Relações Exteriores e da Defesa, Laurent Fabius e Jean-Yves Le Drian, viajaram ao Níger na véspera para recebê-los.

François Hollande declarou, ao se encontrar com os ex-reféns, que seu retorno à França é “uma alegria imensa” e saudou “sua valentia em três anos de adversidades, de espera e de sofrimentos”. “Honraram a França”, afirmou.

Enfraquecidos, mas sorridentes, os ex-reféns se abraçaram longamente com seus familiares depois de saírem do avião. Daniel Larribe, de pulôver vermelho e casaco preto, abraçou sua esposa Françoise, que foi sequestrada junto com ele, mas foi libertada posteriormente.

Os quatro ex-reféns, funcionários das empresas Areva e Satom, filial da Vinci, foram libertados nesta quarta-feira no Mali, após um calvário de mais de três anos no deserto. Segundo uma fonte próxima aos negociadores nigerinos, foram pagos entre 20 e 25 milhões de euros para obter sua libertação.

Rapidamente, as autoridades desmentiram o pagamento de um resgate. “A França não paga resgates. É o que lembramos todas as vezes. É o que foi lembrado por Jean-Yves Le Drian, que foi muito claro”, declarou a presidência francesa em resposta a uma pergunta sobre estas informações.

No mesmo sentido, a porta-voz do governo francês, Najat Vallaud-Belkacem, lembrou que a França “não mudou de política” no que diz respeito aos resgates.

“Nossa política é constante a esse respeito”, insistiu, referindo-se também às declarações do ministro da Defesa, que desmentiu qualquer pagamento de resgate.

“Todos colaboraram, mas os nigerinos nos ajudaram muito”, afirmou o chanceler francês antes de abordar o avião que levou os rebeldes do Níger à França.

Já o ministro da Defesa ressaltou a iniciativa de Estado do presidente nigerino, Mahamadou Issoufou.

Hollande também reiterou nesta quarta-feira o agradecimento ao presidente Issoufou por seu papel na libertação. “Foi ele, com suas equipes, quem pôde fazer as negociações necessárias para obter a libertação de nossos reféns”, disse.

Os ex-reféns passaram a noite em uma residência de Niamey, onde puderam tomar banho, se alimentar corretamente e descansar, antes de viajarem à França.

“Foi muito difícil, mas é uma prova da vida”, declarou no Níger Thierry Dol. Fabius declarou que Daniel Larribe ficou “durante um longo tempo completamente isolado dos outros e não tinha nenhuma notícia”, enquanto os outros reféns podiam ouvir rádio em alguns momentos.

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