Dados mostram cooperação entre Estados Unidos e aliados

Por george.ferreira

O governo dos Estados Unidos advertiu os serviços de inteligência de outros países de que os documentos obtidos por Edward Snowden contêm informações sobre como outras capitais cooperam em sigilo com Washington. De acordo com o jornal “The Washington Post”, alguns das dezenas de milhares de documentos extraídos pelo ex-consultor de inteligência possuem material sensível sobre programas estrangeiros de compilação de informações contra países como Irã, Rússia e China. O periódico cita funcionários do governo americano não identificados.

A informação foi revelada no momento em que a ação de Washington é criticada, especialmente depois da divulgação de que a NSA [Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos] espionou países aliados e seus líderes, incluindo a chanceler alemã Angela Merkel.

Segundo o “Washington Post”, o gabinete do diretor nacional de inteligência tem a missão de alertar os outros países sobre as informações. Em um dos casos apontados pelo jornal, os documentos de Snowden contêm informações sobre um programa de espionagem da Rússia por um país da Otan, o que resultou em dados valiosos para a Aeronáutica e a Marinha dos Estados Unidos. “Se os russos soubessem, não seria difícil adotar as medidas adequadas para interromper”, disse uma fonte ao jornal.

Merkel

As supostas escutas telefônicas da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, podem ter sido monitoradas a partir da embaixada dos Estados Unidos em Berlim, afirma o jornal “Süddeutsche Zeitung”. “As escutas teriam sido efetuadas por uma central SCS [Special Collection Service], sob responsabilidade conjunta da NSA [Agência de Segurança Nacional dos EUA] e da CIA [Agência Central de Inteligência], que operava nas embaixadas e consulados americanos em todo o mundo”, destaca o jornal.

O “Süddeutsche Zeitung” cita os documentos divulgados por Edward Snowden, ex-consultor da NSA, origem de uma série de revelações sobre as atividades de espionagem dos Estados Unidos no mundo.

O caso da suposta espionagem do telefone celular de Angela Merkel pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos irritaram a Alemanha, um país marcado por duas ditaduras – o nacional-socialismo e o comunismo na ex-Alemanha Oriental -, durante as quais a espionagem era uma prática comum.

Merkel disse na quinta-feira em Bruxelas, onde participa em uma reunião de cúpula europeia, que pediu explicações ao presidente americano Barack Obama sobre as revelações. “Os amigos não devem ser espionados. A confiança deve ser restabelecida”, disse Merkel.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, pediu na quinta-feira esclarecimentos depois de ter convocado o embaixador dos Estados Unidos.

Dilma

Em agosto, dados liberados por Snowden mostraram que a presidente Dilma Rousseff e seus assessores eram vigiados pela NSA, a Agência de Segurança dos Estados Unidos.

As denúncias fazem referência a um documento atribuído à agência, segundo o qual comunicações da presidente Dilma Rousseff foram monitoradas, assim como as do mexicano Enrique Peña Nieto, então candidato à presidência.

Por causa da suspeita de espionagem, a presidente adiou a viagem que faria aos Estados Unidos este mês.

Petrobras

Após vir à tona que a presidente Dilma Roussef era alvo dos norte-americanos, foram divulgadas informações de que a NSA também espionou e levantou informações sobre a Petrobras.

A revelação só foi possível a partir de documentos vazados pelo ex-agente da CIA Edward Snowden, atualmente exilado em Moscou, na Rússia.

A comprovação pôs fim à teoria do governo americano de que a o órgão se dedica exclusivamente ao combate do terrorismo.

Dias antes, a agência havia declarado ao jornal americano “The Washington Post” que “não se engaja em espionagem econômica em qualquer área”. A veracidade da informação é questionada a partir dos documentos inéditos, em que o nome da petroleira estatal é citado pelo menos quatro vezes.

 

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