Furacão Raymond ganha categoria 3 e ameaça litoral mexicano

Por Tercio Braga
Espera-se que Raymond provoque inundações costeiras significativas Jesus Solano/Reuters Espera-se que Raymond provoque inundações costeiras significativas Jesus Solano/Reuters

O furacão Raymond ganhou força na madrugada desta segunda-feira e alcançou a categoria 3, das cinco da escala Saffir-Simpson, e atualmente está parado em frente à costa do Pacífico mexicano, uma região muito afetada por tempestades anteriores.

O furacão, o oitavo da temporada atual e o primeiro a atingir a categoria 3 este ano, registra ventos sustentados de 195 km/h e rajadas de 240 km/h, com expectativa de que continue sua movimentação “lenta e errática”, aproximando-se mais da costa mexicana esta tarde ou na terça-feira, informou o CNF (Centro Nacional de Furacões) em boletim divulgado às 16 horas de Brasília. “Está previsto um fortalecimento (do fenômeno) no próximos dia”, advertiu o CNF.

Raymond está 255 km a sudoeste do porto turístico de Acapulco e 170 km ao sul do porto de Zihuatanejo. No entanto, o prognóstico do CNF é de que Raymond gire sua trajetória na direção oeste, sem chegar a tocar terra na costa mexicana, embora sejam esperadas fortes chuvas.

Espera-se que Raymond provoque inundações costeiras significativas, fortes ondulações e ventos, possíveis deslizamentos rodoviários e cheias em rios e arroios, segundo o SMN (Serviço Meteorológico Nacional) mexicano, que previu “chuvas de muito fortes a torrenciais” nos Estados de Guerrero e no vizinho Michoacán.

Os governos destes dois Estados decretaram alerta que inclui o fechamento de portos, evacuações preventivas, vigilância de represas e estradas, e inclusive a suspensão de aulas em algumas comunidades.

Em Guerrero, cerca de mil pessoas foram evacuadas nos municípios de Zihuatanejo, Tecpan de Galeana e Coyuca de Benítez (já afetado por uma tempestade tropical) diante do risco de deslizamentos e transbordamentos de rios, informou à AFP Constantino González Vargas, vice-secretário de Defesa Civil do Estado.

Em Acapulco, onde chove intensamente desde a tarde de domingo, a água chegava até os joelhos em pelo menos dois bairros e quarenta pessoas foram evacuadas preventivamente e levadas a refúgios temporários.

Neste balneário e em oito municípios da Costa Grande de Guerrero, a suspensão das aulas de cerca de 35 mil alunos de todos os níveis foi estendida até a terça-feira.

O diretor-geral da mexicana Comissão Nacional da Água, David Korenfeld, advertiu anteriormente para “a saturação do solo em uma região que recebeu fenômenos hidrometeorológicos com tanta reiteração, como foram (as tempestades) Ingrid e Manuel”.

Os dois fenômenos, que chegaram a alcançar força de furacão categoria 1, atingiram o México em meados de setembro vindos de litorais opostos, deixando em sua passagem um balanço oficial de pelo menos 157 mortos e 1,7 milhão de afetados.

Guerrero foi o estado mais afetado por Manuel, onde foram registrados 101 mortos. Na região montanhosa, um grande deslizamento de terra e pedras sepultou parcialmente uma comunidade, deixando dezenas de desaparecidos, enquanto no porto de Acapulco, dezenas de milhares de turistas, entre os quais vários brasileiros, ficaram presos durante dias devido ao fechamento do aeroporto e das estradas.

Raymond, que também provocará chuvas em Jalisco e Colima, estará interagindo com uma frente fria que, segundo previsões, chegará ao México nas próximas horas, entrando pelos estados de Chihuahua e Coahuila e estão previstas fortes chuvas a partir de terça-feira tanto no norte quanto no oeste.

Antes de Raymond, o último fenômeno a chegar à categoria 3 a tocar terra no México foi Karl, em setembro de 2010 que, combinado com a tempestade Matthew, deixou 16 mortos no litoral Atlântico.

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