Mais corpos de imigrantes são encontrados em Lampedusa

Por Carolina Santos
Soldados carregam o corpo de vítima do naufrágio | Antonio Parrinello/ Reuters Soldados carregam o corpo de vítima do naufrágio | Antonio Parrinello/ Reuters

A busca dos corpos de centenas de imigrantes africanos, vítimas de um naufrágio, prosseguia nesta segunda-feira perto da ilha de Lampedusa e seus habitantes reclamam a ajuda da Europa frente à constante afluência de refugiados e imigrantes sem documentos.

Os mergulhadores recuperaram 211 corpos e as autoridades temem que no naufrágio tenham morrido entre 300 e 360 pessoas.

Nesta segunda-feira, uma equipe de mergulhadores encontrou mais 17 corpos de imigrantes, depois que a operação de busca foi retomada no domingo depois de suspensa devido ao mau tempo.

Ante a onda de imigrantes que têm chegado nos últimos meses à Itália – cerca de 30.000 desde o início do ano, quatro vezes mais que em 2012 -, as autoridades italianas convocaram uma reunião excepcional em nível ministerial dos países da União Europeia (UE).

A Itália acusa a UE de se fugir de sua responsabilidade em temas como a imigração ilegal, um assunto delicado e que muitos países evitam, frente à ascensão de partidos populistas, a maioria xenófobos, que acusam os imigrantes pela crise e o desemprego em seus países.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, visitará na quarta-feira a ilha siciliana para prestar homenagem às vítimas e manifestar pessoalmente sua solidariedade para com os habitantes de Lampedusa, que contam com poucos meios, mas acolhem os imigrantes.

 

Políticas de prevenção

O distanciamento da UE, acusada por alguns setores de inação ante a possibilidade modificar sua política migratória, tem a ver com a complexidade desse expediente politicamente explosivo, principalmente quando se aproximam as eleições europeias, no início de 2014.

Antes de viajar para Lampedusa, a ministra italiana da Integração, a ítalo-congolesa Cecile Kyenge, disse esperar, em entrevista ao jornal “Corriere della Sera”, que não aconteçam mais tragédias como essa. A ministra declarou que são necessárias políticas de prevenção.

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Kyenge defendeu políticas de imigração menos rígidas e anunciou que triplicará o número de vagas nos centros italianos para imigrantes, “de oito mil para 24 mil”.

Roma incluiu o tema da imigração na reunião do conselho de ministros do Interior da UE, nesta terça-feira, em Luxemburgo.

A ministra defendeu ainda a modificação de uma lei adotada por um governo de Silvio Berlusconi que considera todos imigrantes “suspeitos” de imigração clandestina e pune os civis que ajudarem.

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As propostas não gozam de consenso no atual governo italiano, cujo ministro do Interior, Angelino Alfano, que estará em Luxemburgo na terça, é membro do partido de Berlusconi.

Já o chefe do Executivo italiano, Enrico Letta, destacou no domingo a porosidade das fronteiras líbias. “Nosso problema se chama Líbia. Tudo mudou nos últimos dois anos. Estaremos lá para fazer adotar normas mais rígidas”, afirmou.

Ele alegou que “a Itália não pode ser o primeiro país (de entrada de migrantes africanos) e assumir todo o peso nas suas costas”.

 

Imigração

Entre 17 mil e 20 mil imigrantes já morreram em sua tentativa de cruzar o Mediterrâneo nos últimos 20 anos, segundo dados de diferentes ONGs.

Os países do sul da Europa (Grécia, Itália, Espanha) exigem que sejam estabelecidos novos mecanismos para repartir os pedidos de asilo em todos os países já que são os mais afetados pelo problema, por serem porta de entrada para milhares de africanos que fogem de guerras e conflitos.

Mais de 1.000 imigrantes estão num centro de acolhida com capacidade para apenas 250 pessoas e alguns precisam, inclusive, dormir ao relento.

A Sicília continua sendo a metade da onda de imigrantes ilegais e registrou a chegada de 363 sírios e egípcios neste fim de semana, dos quais 200 foram salvos por um navio oceanográfico francês e uma embarcação holandesa.

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