Especialistas começam a destruir arsenal químico na Síria

Por Carolina Santos
Conflito entre opositores e exército já deixou mais de 115.000 mil mortos | Yazen Homsy/ Reuters Conflito entre opositores e exército já deixou mais de 115.000 mil mortos | Yazen Homsy/ Reuters

Uma equipe de especialistas internacionais em desarmamento começou neste domingo, dia 6, o processo de destruição das armas químicas da Síria e das instalações de produção. A missão responde à resolução 2118 do Conselho de Segurança da ONU, possível graças a um acordo Rússia-EUA que prevê o desarmamento químico do país até meados de 2014.

De acordo com uma fonte da missão, que pediu anonimato, veículos pesados passarão por cima e destruirão ogivas de mísseis e bombas químicas, assim como unidades móveis e fixas e outros equipamentos. Os especialistas devem verificar a destruição de um arsenal avaliado em mil toneladas, das quais 300 seriam de gás mostarda ou sarin, distribuídas em dezenas de localidades.

Uma fonte da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) em Haia afirmou em 29 de setembro que seriam utilizados “métodos expeditivos” em um primeiro momento para assegurar que as instalações não poderiam ser utilizadas nunca mais.

O acordo afastou a ameaça de uma ação militar liderada pelos Estados Unidos depois do ataque químico de 21 de agosto, que o Ocidente e a oposição síria atribuem ao regime de Bashar al-Assad.

A conferência Genebra 2, que pretende buscar uma solução política para o conflito sírio, pode acontecer em novembro, afirmou o enviado da ONU para a Síria, Lakhdar Brahimi, que pediu ao regime e à oposição que participem sem condições prévias.

Assad reconhece “erros”

O presidente sírio negou em uma entrevista à revista alemã Spiegel qualquer responsabilidade no ataque e afirmou que seu governo tem sido muito transparente com a equipe da OPAQ desde sua chegada, terça-feira, à Síria.

Na publicação, Assad admitiu que cometeu “erros” desde o início da revolta popular contra seu regime, em março de 2011. “Cometi erros pessoais. Todos cometemos erros. Inclusive um presidente comete erros”, declarou, antes de completar que suas decisões fundamentais foram justas.

Perguntado sobre uma responsabilidade total da oposição nos massacres, Assad respondeu que “a realidade não é preta ou branca”. “Não podemos dizer ‘eles são 100% responsáveis e nós não somos em absoluto’. A realidade não é preta ou branca, há toda uma gama de cinzas. Mas é correto dizer que nos defenderemos”.

A revista afirmou ainda que o Irã autorizou o regime sírio a utilizar suas bases aéreas para proteger seus aviões de combate no caso de um ataque estrangeiro, segundo um relatório do serviço de inteligência germânico.

Violência prossegue

Neste domingo, pelo menos oito pessoas morreram em um ataque com morteiros em um bairro cristão do centro de Damasco, segundo informou a agência de notícias estatal Sana. O ataque aconteceu no distrito de Qassaa, na área antiga da cidade, e deixou 24 feridos, além de ter provocado danos materiais em uma igreja.

Desde o início do conflito há mais de dois anos, 115.000 pessoas morreram, segundo a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

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