Degelo entre EUA e Irã preocupa Israel

Por fabiosaraiva
Netanyahu pediu a Obama que não se deixe enganar pela retórica do novo líder iraniano | Jason Reed/Reuters Netanyahu pediu a Obama que não se deixe enganar pela retórica do novo líder iraniano | Jason Reed/Reuters

Três dias depois de uma histórica aproximação entre os Estados Unidos e o Irã, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, apelou para que o presidente Barack Obama não se deixe seduzir pelas palavras do mandatário iraniano.

Em uma reunião às margens da 68ª Assembleia-Geral da ONU, Netanyahu pediu que as sanções econômicas contra a república islâmica não sejam retiradas. “O Irã está comprometido com a destruição de Israel e deve ser forçado a desmantelar completamente seu arsenal nuclear”, afirmou o premiê israelense.

O encontro entre Obama e Netanyahu ocorre após uma intensa ofensiva diplomática do governo iraniano para se aproximar do Ocidente. O presidente, Hassan Rouhani, ressaltou que não pretende abandonar o direito ao programa nuclear, mas que deseja a paz com Israel.

Obama tentou tranquilizar Netanyahu, dizendo que Teerã deve provar sua sinceridade com ações. Ele insistiu que as sanções econômicas não serão retiradas prematuramente. Uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano está prevista para os dias 15 e 16 deste mês, em Genebra.

 

Pressão interna

De volta ao Irã, o presidente Rouhani também enfrentou críticas por sua aproximação com os EUA. No fim de semana, manifestantes jogaram sapatos e ovos contra ele.

Ontem, o comandante da Guarda Revolucionária criticou a conversa telefônica entre Rouhani e Obama. “O presidente deveria ter se recusado a conversar e esperado ações concretas dos americanos”, disse Mohamad Ali Jafari ao site Tasnimnews.com.

 

Um jogo de muitas peças

É muito cedo para avaliar o que está acontecendo. O Irã não é o regime mais transparente do mundo, então, nós não sabemos o que se passa nos bastidores.

Mesmo que Rouhani e o aiatolá Ali Khamenei (líder supremo do Irã) estejam dispostos a uma abertura, há aqueles que não desejam ver tal mudança. Basta observar os protestos do fim de semana, que, dificilmente, teriam ocorrido sem a aprovação tácita de membros do governo.

Finalmente, existem os “spoilers”. Tanto Israel quanto Arábia Saudita preferem que os EUA adotem uma abordagem linha dura com o Irã. Ambos irão exercer pressão sobre os EUA, incluindo o uso de lobbies no Congresso e o jogo de influências na imprensa.

James Gelvin – Professor de história moderna do Oriente Médio na Universidade da Califórnia em Los Angeles

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