Rússia mantém presos mais 7 ativistas do Greenpeace

Por talita
Assim como ativistas, navio Artic Sunrise também foi apreendido pelos russos | Dmitri Sharomov/ Reuters Assim como ativistas, navio Artic Sunrise também foi apreendido pelos russos | Dmitri Sharomov/ Reuters

Um tribunal russo ordenou, neste domingo, a detenção, por dois meses, de sete membros da tripulação do navio Artic Sunrise, do Greenpeace, investigado por pirataria após um protesto contra uma plataforma da Gazprom no Ártico. Um tribunal de Murmansk já havia ordenado, na quinta-feira, a prisão, também por dois meses, dos 22 ativistas do Greenpeace a bordo do quebra-gelo.

Os tripulantes do barco estão sendo investigados por “pirataria”, um crime que pode ser punido com até 15 anos de prisão no país, pela tentativa de abordar uma plataforma da empresa Gazprom no Ártico para protestar contra os projetos de extração de petróleo na região. Os demais haviam sido colocados sob prisão preventiva por 72 horas e suas audiências tinha sido adiadas para este domingo.

Entre os tripulantes, há 26 estrangeiros de 18 nacionalidades, incluindo a bióloga brasileira Ana Paula Maciel, e quatro russos. Neste domingo, o tribunal de Murmansk decidiu manter em detenção até o dia 24 de novembro seis deles: Dmitri Litvinov, um sueco-americano de origem russa, porta-voz do Greenpeace; um ucraniano, que cozinhava no navio; os holandeses Faiza Oulahsen e Mannes Ubels; o britânico Frank Hewetson; e a finlandesa Sini Saarela. Dois outros membros da tripulação devem ainda se apresentar no mesmo tribunal, que decidirá sobre sua eventual prisão, enquanto durarem as investigações.

Imagens, postadas na internet, mostram Litvinov, bisneto de um ministro das Relações Exteriores de Stalin, em uma cela de metal na sala de audiência. Diplomatas de vários países assistiram às audiências.

Os ativistas negam ter cometido atos de pirataria e acusam a Rússia de ter interceptado ilegalmente seu navio em águas internacionais.

O presidente russo Vladimir Putin admitiu, na quarta-feira, que os 30 tripulantes do barco do Greenpeace não eram piratas, mas que “essa gente violou as normas da lei internacional”. A comissão de investigação russa justificou a prisão dos ativistas considerando que poderiam fugir da Rússia caso fossem libertados.

Entre os detidos, também está o capitão do navio do Greenpeace, o americano Peter Willcox, que ocupava esse mesmo posto à frente do Rainbow Warrior em 1985, quando o barco da ONG ambientalista foi afundado pelos serviços secretos franceses.

Quatorze membros da tripulação estão em um centro de detenção em Murmansk, e oito na cidade vizinha de Apatity.

Segundo Irina Païkatcheva, que dirige uma comissão de observação sobre o respeito dos direitos dos prisioneiros na região de Murmansk, um britânico está atualmente preso com dois russos suspeitos de roubo, o que é contra a lei. “É uma violação”, declarou, explicando que, segundo a legislação russa, os suspeitos estrangeiros devem permanecer separados dos russos. Ela também acrescentou que os membros da tripulação estavam detidos em “condições satisfatórias”.

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