Molina: advogado negocia asilo em dois países

Por george.ferreira
Parlamentar boliviano continua em Brasília, mas se prepara para visitar a mulher e as filhas no Acre | Valter Campanato/ABr Parlamentar boliviano continua em Brasília, mas se prepara para visitar a mulher e as filhas no Acre | Valter Campanato/ABr

O advogado Fernando Tibúrcio Peña, que defende o senador oposicionista boliviano Roger Pinto Molina, disse nesta sexta-feira que está negociando a possibilidade de obter asilo político para seu cliente em dois países latino-americanos que fazem fronteira com o Brasil, se o processo dele for politizado. Em entrevista à Agência Brasil, Tibúrcio lamentou “a politização do processo”. Segundo ele, politizar o caso influencia nas questões técnicas e jurídicas.

O parlamentar boliviano continua em Brasília, mas se prepara para visitar a mulher e as filhas no Acre. “É uma pena essa politização toda, porque a discussão técnica e jurídica se perde em meio a tudo isso”, reforçou o advogado. “Insistimos na manutenção do senador em território brasileiro, mas temos que negociar alternativas, se isso não for possível.”

Tibúrcio disse que já conversou com os embaixadores de dois países latino-americanos sobre a possibilidade asilo político para Pinto Molina. Porém, para evitar prejuízos às negociações, o advogado mantém sigilo sobre os países cujos representantes foram consultados. Sabe-se, no entanto, que são países que fazem fronteira e para os quais há voos diretos partindo do Brasil.

Perguntado sobre a possibilidade de Molina ser enviado de volta à Bolívia, como pediu o presidente Evo Morales, o advogado disse que a “devolução” é a proposta “mais esdrúxula” que ouviu nos últimos dias. “Não restam dúvidas de que, hoje, a situação do senador é a de quem tem status de asilado político, como afirmou o vice-presidente Michel Temer, que é um jurista brilhante. Imaginar a devolução do senador é a coisa mais impossível e mais esdrúxula que há. As chances são abaixo de zero”, afirmou.

Há uma semana, o senador Roger Pinto Molina, que faz oposição ao governo de Evo Morales, deixou a embaixada brasileira em La Paz, onde passou cerca de um ano e meio, com a ajuda do diplomata Eduardo Saboia, que assumiu a responsabilidade pela operação de retirada do parlamentar da Bolívia. Mesmo com as autoridades bolivianas afirmando que as relações entre o Brasil e a Bolívia não foram afetadas, o caso provocou uma crise diplomática que resultou na demissão do então ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, pelo embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, que assumiu quarta-feira, dia 28, o comando da pasta.

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