Em meio à crise no Egito, Mubarak vai ficar em prisão domiciliar

Por Tercio Braga
Ex-ditador acena de dentro de sua cela, em abril | Stringer/Files/ Reuters Ex-ditador acena de dentro de sua cela, em abril | Stringer/Files/ Reuters

A Justiça do Egito autorizou a libertação do ex-ditador Hosni Mubarak depois de livrá-lo da última acusação que o mantinha na cadeia. O político, porém, será colocado em prisão domiciliar e não poderá deixar o país.

O gabinete do primeiro-ministro usou a lei de emergência para determinar a prisão domiciliar de Mubarak. A decisão visa diminuir a fúria da população. Há sete semanas, milhares de egípcios estão nas ruas contra o golpe militar que derrubou o ex-presidente Mohamed Mursi, o primeiro a ser eleito de forma democrática no país.

Mubarak governou o Egito por mais de 30 anos e foi derrubado após uma revolta popular, há dois anos. O político chegou a ser condenado à prisão perpétua por ser omisso na morte de centenas de manifestantes. Em janeiro, contudo, ele teve direito a um novo julgamento para essa acusação.

O ex-ditador ainda era mantido na cadeia por dois crimes de mau uso de dinheiro público. Seu advogado conseguiu livrá-lo das acusações.

Indignação

“O Exército trouxe de volta o regime de Mubarak, o mesmo regime”, reclamou Guma Abdel Alim, morador do Cairo. “Aqueles que foram eleitos pelo povo estão agora na prisão”, disse ele, em referência a Mursi.

Ontem, a União Europeia realizou uma reunião de emergência sobre a crise política egípcia. Os chanceleres do bloco concordaram em suspender a venda de armas ao Egito.

“Nós condenamos atos de violência e acreditamos que as recentes ações dos militares têm sido desproporcionais”, disse Catherine Ashton, chefe da diplomacia europeia.

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