Nobel da Paz, Mohamed ElBaradei será julgado por traição no Egito

Por Tercio Braga
Prevendo as retaliações, ElBaradei já havia deixado o Egito depois de divulgar sua carta de demissão | Mohamed Abd El Ghany/Reuters Prevendo as retaliações, ElBaradei já havia deixado o Egito depois de divulgar sua carta de demissão | Mohamed Abd El Ghany/Reuters

Em mais um capítulo da crise política egípcia, as autoridades judiciais do país confirmaram a audiência de julgamento do ex-vice-presidente Mohamed ElBaradei para 19 de setembro. ElBaradei é acusado de “trair a confiança” do governo interino, devido à sua decisão de deixar o gabinete, na semana passada.

A acusação foi apresentada por Sayyed Ateeq, um professor de direito na Universidade de Helwan.

“ElBaradei foi apontado como representante da Frente de Salvação Nacional e tinha a obrigação de pedir aos que nele confiaram para renunciar”, disse Ateeq, em referência à coalizão que, apoiada pelo Exército, derrubou o governo de Mohamed Mursi.

O ex-vice-presidente foi chefe da agência nuclear das Nações Unidas e ganhou o prêmio Nobel da Paz de 2005 por seus esforços para impedir a utilização militar da energia atômica. Ele se tornou o liberal mais famoso a apoiar o golpe militar que destituiu Mursi, em 3 de julho.

A “lua-de-mel” com os militares terminou na semana passada, depois que as forças de segurança atacaram os aliados de Mursi. O choque acabou em um banho de sangue, e mais de 500 pessoas foram assassinadas.

Prevendo as retaliações, ElBaradei já havia deixado o Egito depois de divulgar sua carta de demissão. Ele está em Viena, mas pode ser julgado à revelia.

Ajuda americana

Pouco depois da confirmação do julgamento de ElBaradei, os Estados Unidos convocaram uma reunião do  Conselho de Segurança Nacional e de outros membros do governo para discutir a situação do Egito.

O encontro foi anunciado pelo porta-voz da Casa Branca Josh Earnest como um evento de rotina. “Não esperaria nenhum grande anúncio relacionado à nossa ajuda ao país”, disse ele.

Mais cedo, o senador democrata Patrick Leahy afirmou que o governo americano havia cortado a ajuda militar ao Egito, informação negada por Washington. Os EUA enviam, anualmente, US$ 1,3 bilhão ao país árabe.

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