Egito não cederá à violência, diz chefe do Exército

Por Carolina Santos
Partidários da Irmandade em protesto  | Amr Abdallah Dalsh /REUTERS Partidários da Irmandade em protesto | Amr Abdallah Dalsh /REUTERS

Governantes apoiados pelo Exército do Egito se reuniram ontem  para discutir o confronto sangrento com a Irmandade Muçulmana do presidente deposto Mohamed Mursi. Em discurso exibido na TV a militares e membros da polícia, o chefe do Exército Abdel Fattah el-Sisi prometeu tomar medidas enérgicas sobre qualquer indivíduo que utilizar a violência, mas também emitiu uma nota dizendo aos defensores de Mursi  que “há lugar para todos no Egito”.

“Quem imagina que a violência vai dobrar o Estado e os egípcios deve revisar sua postura. Não permaneceremos nunca silenciosos ante a destruição do país”, afirmou, em sua primeira declaração desde o início, na quarta-feira, da violenta repressão contra os partidários de Mursi, deposto pelo Exército em 3 de julho.

A Irmandade informou que planeja mais protestos para exigir a reintegração de Mursi. Ontem, partidários da Irmandade voltaram às ruas do Cairo e de outras cidades do Egito, embora em número menor do que esperado após alguns protestos terem sido cancelados por questões de segurança.

Ao menos 36 prisioneiros morreram ontem sufocados por gás lacrimogêneo numa suposta tentativa de fuga de um comboio com 600 detentos, no Cairo. O gás foi disparado por militares, segundo o ministério do Interior egípcio, na tentativa de libertar um policial retido num motim.

A última contagem apontava para pelo menos 830 mortos no país desde quarta-feira. No sábado, 79 pessoas morreram e 549 foram feridas, segundo a agência “Mena”, citando dados oficiais.

 

UE vai rever relações

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e o presidente da Comissão Europeia, Jose Manuel Barroso, afirmaram ontem que a União Europeia deve “rever urgentemente” suas relações com o Cairo para tentar aplacar a violência.

Diplomatas da UE se encontram hoje para decidir quais áreas da cooperação econômica poderão ser alvo de uma ação e preparam uma reunião de chanceleres da UE para as próximas duas semanas.

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