Fotógrafo brasileiro atingido de raspão no Egito afirma que não sentiu tiro

Por fabiosaraiva
Manifestantes no Egito | Youssef Boudlal /Reuters Manifestantes no Egito | Youssef Boudlal /Reuters

O fotógrafo do jornal Folha de S.Paulo, Joel Silva, que foi atingido de raspão na cabeça, nesta sexta-feira, no Egito disse, em entrevista à BandNews FM, que não sentiu o tiro.

 

Joel Silva contou que foi avisado por um colega que estava ferido e ficou assustado ao ver o projétil no chão. “Eu estava fazendo um vídeo para a TV Folha quando eu percebi um tranco na cabeça, mas como estava muito calor e a cobertura é tensa, com a adrenalina um pouco alta, eu não senti dor”, relatou o jornalista.

 

A primeira reação foi sair correndo de onde estava e pegar um táxi em busca de socorro. No meio do caminho, no entanto, parou em um bloqueio militar e acabou sendo acompanhado até o hotel onde está hospedado e recebeu atendimento médico.

 

“O soldado me ordenou que eu pedisse um jipe militar, que me acompanhasse até o hotel. Chegando ao hotel, eu consegui um atendimento médico. Agora estou bem, minha dor de cabeça passou”, explicou.

 

Segundo Joel Silva, os hospitais do Cairo estão sem estrutura para receber os feridos.

 

O fotógrafo decidiu continuar acompanhando o conflito no país, apesar do alto nível de insegurança. “A gente se acostuma com isso, mas hoje eu fiquei realmente assustado (…) É essa a nossa profissão, é essa a nossa função. É claro que agora teremos um esforço redobrado em relação à segurança. Nós só vamos sair do hotel quando sentirmos que a rua está tranquila”, falou Joel.

 

De acordo com ele, as manifestações devem continuar e a Irmandade Muçulmana está avisando que não vai parar. “O toque de recolher dá aos soldados a maior liberdade de atirar, sem o menor questionamento. Você pode ser preso sem nenhum motivo. Os soldados estão atirando a vontade, eles não tem muita ponderação”.

 

Violência

Na última quarta-feira, o Egito registrou pelo menos 525 mortes – entre elas 482 civis – durante a violenta repressão das manifestações dos partidários do presidente destituído Mohamed Mursi.

A violência foi desencadeada quando, na quarta-feira, as forças de segurança invadiram acampamentos de protesto pró-Mursi, o presidente destituído e detido pelo exército no dia 3 de julho.

Segundo o colunista da BandNews FM, Milton Blay, “o país decretou estado de urgência por um mês e decretou toque de recolher em 11 províncias”.

 

O Papa Francisco fez um apelo à “paz, ao diálogo e à reconciliação”. Os mais de 500 mortos incluem 202 manifestantes do campo de Rabaa Al Adawiya, no Cairo, e 43 agentes policiais por todo o país, disse fonte oficial do ministério.

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