Egito tem mais um dia de violência, com mais de 100 mortos

Por Tercio Braga
Centenas de manifestantes ficaram feridos durante os protestos | Amr Abdallah Dalsh/Reuters Centenas de manifestantes ficaram feridos durante os protestos | Amr Abdallah Dalsh/Reuters

Egito tem mais um dia de muita violência. Pelo menos 100 pessoas já morreram em confrontos pelo país somente nesta sexta-feira.

No Cairo, um grupo colocou fogo em um edifício governamental. A TV estatal mostra as imagens e pede que a população volte para casa para não contribuir com terroristas.

Em outros pontos da capital, houve confrontos pesados entre apoiadores do presidente deposto, Mohamed Mursi, e seguidores do novo regime. Um homem chegou a pular de uma ponte para não ser capturado por opositores.

O ministério do interior informou que quatro pessoas morreram em Smailyah. Médicos de Alexandria, a segunda maior cidade do país, relatam que o número de mortos no local é de 21. A organização Repórteres Sem Fronteiras confirmou as mortes do repórter Ahmad Abdel Gawad, do jornal Al-Akhbar, e do fotógrafo Mosab Al-Shami, do grupo de mídia alternativa Rassd News Network (RNN), ambos egípcios. Um cinegrafista do canal Al-Jazeera e um fotógrafo da AFP foram feridos.

Manifestações ocorrem por todo o país. Após convocar os protestos desta sexta-feira, no que classificou como o dia da cólera, a Irmandade Muçulmana voltou a pedir que as pessoas saiam às ruas.

Desta vez a organização pede uma semana de manifestações contrárias ao regime interino. O governo segue com uma linha dura contra as demostrações. O alerta para a polícia atirar contra qualquer um que atacar edifícios públicos continua em vigor. Não há perspectiva de algum entendimento a curto prazo.

 

Leia mais: Fotógrafo brasileiro atingido de raspão no Egito afirma que não sentiu o tiro

Nos últimos dias a violência no território egípcio chocou o mundo, com centenas de mortes. A situação é tensa na nação.

No exterior, chefes de Estado criticam os conflitos no Egito. O presidente da França, François Hollande, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmaram que a Europa deverá adotar uma posição “forte” em relação ao Egito. A Turquia decidiu retirar o embaixador instalado no Cairo.

Fora do Egito, muçulmanos promovem manifestações de protestos em cidade importantes como Cartoum, Amã, Jerusalém e também na Cisjordânia, Marrocos e Paquistão.

Fotógrafo brasileiro é baleado de raspão na cabeça
Um fotógrafo brasileiro foi atingido por um tiro de raspão na cabeça, enquanto cobria os protestos no Egito para o jornal Folha de São Paulo. Joel Silva, de 47 anos, recebeu atendimento médico no hotel em que está hospedado, no Cairo, e passa bem.

E o governo brasileiro pediu esclarecimentos ao Egito sobre a escalada da violência. O secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Eduardo dos Santos, convocou o embaixador egípcio em Brasília para prestar explicações, na tarde desta sexta-feira. De acordo com o Itamaraty, a embaixada brasileira no Cairo está funcionando, em regime de plantão, para atendendimento aos brasileiros.

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