Repressão a partidários do presidente destituído Mursi deixa 525 mortos

Por Tercio Braga
Manifestante encara grupo de policiais no Cairo | Asmaa Waguih/Reuters Manifestante encara grupo de militares no Cairo | Asmaa Waguih/Reuters

Pelo menos 525 pessoas – entre elas 482 civis – morreram na quarta-feira na violenta repressão das manifestações dos partidários do presidente destituído Mohamed Mursi, anunciou uma fonte do ministério egípcio da Saúde.

Um total de 202 pessoas morreram na praça Rabaa al-Adawiya, onde os partidários de Mursi acampavam desde 3 de julho, dia do golpe de Estado que derrubou Mursi, anunciou Khaled al-Khatib, diretor do serviço de emergência do ministério da Saúde. O balanço anterior do governo era de 464 mortos. Foi o dia mais sangrento no país desde a revolução que derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 2011.

O governo interino decretou estado de emergência em todo o país e toque de recolher em 11 das 27 províncias. O estado de emergência vigorou no Egito durante mais de duas décadas do regime militar.

Segundo o Ministério do Interior, entre os mortos estão 43 policiais. Dois jornalistas — um cinegrafista da SkyNews e uma repórter do jornal “Xpress” — também perderam a vida nos confrontos.

A Irmandade Muçulmana (grupo que apoia Mursi e que mantinha o acampamento) denunciou a ação implacável do Exército. Jornalistas da Reuters viram uma multidão de policiais tomando as ruas com pedaços de pau e bombas de gás lacrimogêneo.

“Eles quebraram as nossas paredes, usaram o gás contra crianças”, contou o Slaeh Abdulaziz, 39, que ficou ferido na cabeça. Mais de 2 mil pessoas se machucaram durante os enfrentamentos.

‘Moderação’


Mesmo com o caos, o primeiro-ministro egípcio, Hazem Beblawi, disse que as forças de segurança agiram com “toda moderação”. Beblawi tentou justificar a operação dizendo que “nenhum Estado teria conseguido tolerar” a ocupação. Os aliados de Mursi estavam acampados desde a deposição de Mursi, em 3 de julho.

O banho de sangue criou um mal-estar entre os líderes seculares que apoiaram a saída do ex-presidente. O prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, defensor do golpe, renunciou à vice-presidência do país.

James Gelvin, especialista em história do Oriente Médio, disse não acreditar em uma solução democrática para o Egito. “No médio prazo, veremos um governo direta ou indiretamente dominado pelos militares.”

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