Egito: ElBaradei anuncia sua demissão

Vice-presidente do país tomou decisão depois da violenta operação para dispersar os manifestantes pró-Mohamed Mursi

Por BAND
Moramed ElBaradei deplorou o número de mortos na operação | Amr Abdallah Dalsh/ Reuters Moramed ElBaradei deplorou o número de mortos na operação | Amr Abdallah Dalsh/ Reuters

O vice-presidente egípcio, o Prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, anunciou sua demissão ao presidente interino do país, depois da violenta operação para dispersar os manifestantes pró-Mohamed Mursi. Segundo balanço oficial, ao menos 278 pessoas foram mortas.

“Para mim é difícil continuar a assumir a responsabilidade de tomar decisões com as quais não estou de acordo”, escreveu na carta entregue ao presidente Adly Mansur.

ElBaradei deplorou o número de mortos na operação, principalmente porque “isso poderia ter sido evitado”.

“Infelizmente, quem vai ganhar com o que aconteceu hoje são os grupos extremistas que querem a violência e o terror”, acrescentou.

 

Repercussão

 

A violenta repressão das forças de segurança egípcias usadas para dispersar os partidários do presidente islamita destituído Mohamed Mursi foi condenada por diversos países.

“A comunidade internacional, liderada pelo Conselho de Segurança da ONU, deve imediatamente passar à ação para cessar com este massacre”, exigiu o primeiro-ministro turco islamita Recep Tayyip Erdogan.

O chefe de Estado turco, Abdullah Gul, também classificou a operação de massacre.

“O que aconteceu no Egito, esta intervenção armada contra civis que se manifestam, não pode de maneira alguma ser aceita”, afirmou Gul aos jornalistas em Ancara.

A expressão “massacre da população” também foi empregada pelo ministro iraniano das Relações Exteriores, que evocou a possibilidade de uma guerra civil no Egito.

“O Irã acompanha de perto os amargos acontecimentos no Egito condena a matança da população e adverte sobre suas graves consequências”, indica o texto publicado pela agência Fars.

O Catar, principal apoio da Irmandade Muçulmana, denunciou com veemência a intervenção da polícia contra “manifestantes pacíficos”

No Ocidente, as condenações à operação foram mais prudentes.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon condenou com veemência a intervenção das forças de segurança contra a população egípcia e criticou as autoridades no poder por terem optado pelo uso da força.

“Diante das violências de hoje, o secretário-geral apela a todos os egípcios que concentrem seus esforços na promoção genuína, inclusive na reconciliação”, afirmou o porta-voz Martin Nesirky

A União Europeia convidou as partes envolvidas a exercer a máxima moderação nesta crise.

 

Confira imagens do confronto:

 

 

 

 

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