Papa aperta fiscalização sobre o banco do Vaticano

Por Carolina Santos

Em mais um esforço para limpar a imagem da Santa Sé e impedir novos escândalos de corrupção e lavagem de dinheiro na Cúria, o papa Francisco anunciou um reforço na fiscalização das atividades do banco do Vaticano.

Em um “Motu Proprio”, espécie de decreto papal, publicado ontem, o pontífice anunciou a criação de uma comissão de segurança financeira. O órgão terá poder de supervisão sobre o banco e sobre outros departamentos ligados a atividades financeiras na Cúria.

“É uma forma de garantir que o caminho (rumo à transparência) continue”, disse o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi. “No mundo de hoje, tudo gira em torno de resistir às formas de criminalidade financeira. Temos que agir igualmente diante dos desafios para proteger a legalidade e não sermos deixados para trás”, acrescentou.

O decreto, que entra em vigor amanhã, responde a uma recomendação do Moneyval, o comitê europeu antilavagem de dinheiro.

Em um relatório de julho do ano passado, o Moneyval apontou que o Vaticano tinha um longo caminho para percorrer na luta contra a corrupção, o terrorismo e os crimes financeiros.

Continuidade

O papa ressaltou que o decreto de ontem dava prosseguimento às medidas tomadas por Bento 16. No mês passado, Francisco já havia criado uma comissão para investigar as finanças do Vaticano.

A Santa Sé também assinou um acordo com o governo italiano sobre a troca de informações financeiras e bancárias, também com o objetivo de combater a lavagem de dinheiro.

“Desejo renovar o compromisso da Santa Sé em adotar princípios e executar instrumentos jurídicos desenvolvidos pela comunidade internacional”, explicou Francisco no “Motu Proprio”.

Na volta de sua viagem ao Brasil, o pontífice afirmou que o banco do Vaticano deve se tornar “honesto e transparente”. Ele prometeu ouvir especialistas para determinar se a instituição pode ser reformada ou se deve ser fechada.

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