Sequestrador de Cleveland é condenado à prisão perpétua

Por Carolina Santos

 

REUTERS/Aaron Josefczyk Ariel Castro é condenado à prisão perpétua |REUTERS/Aaron Josefczyk

O motorista de ônibus de Cleveland que sequestrou e torturou três mulheres, Ariel Castro, foi condenado à prisão perpétua nesta quinta-feira sem direito a liberdade condicional, depois que uma de suas vítimas o confrontou, dizendo que ele a colocou no inferno por 11 anos.

Castro, de 53 anos, pediu desculpas às vítimas, mas foi principalmente desafiador na audiência, durante a qual brigou com o juiz e atribuiu suas ações ao abuso sofrido quando criança e a uma obsessão sexual.

“Não sou um monstro”, disse ele antes de receber a sentença. “Se você perguntasse à minha filha, ela diria ‘meu pai é o melhor pai do mundo"”, acrescentou Castro.

“Todo o sexo foi consensual”, afirmou ele ao juiz, antes da sentença. “As meninas não eram virgens. Elas tiveram múltiplos parceiros sexuais antes de mim.”

O juiz do condado de Cuyahoga Michael Russo, que descreveu Castro como tendo “narcisismo extremo”, disse que os crimes foram tão extremos que o ex-motorista de ônibus escolar nunca deve sair da prisão.

Castro declarou-se culpado de centenas de acusações, incluindo assassinato, por ter forçado uma das mulheres, Michelle Knight, a abortar durante a gravidez. Com a declaração, ele evitou a possibilidade da pena de morte.

A sentença completa contra Castro é de prisão perpétua sem liberdade condicional, além de 1.000 anos, garantindo que ele nunca saia da prisão.

Knight, de 32 anos, fez uma aparição dramática no tribunal antes da sentença e leu uma declaração dizendo que Castro a perseguiu, começando com o sequestro, em 2002, até que ela foi libertada, em 6 de maio de 2013.

“Os dias viraram noites, noites transformaram-se em dias. Anos transformaram-se em eternidade. Eu pensava que ninguém se importava comigo. Ele me disse que minha família não se importava”, afirmou Knight, segurando as lágrimas.

“Passei 11 anos de inferno. Agora, o seu inferno está apenas começando”, disse ela sobre Castro.

Com as pernas acorrentadas e vestindo um macacão laranja da prisão, Castro discutiu com o juiz sobre algumas das acusações e ouviu o testemunho e condenação sem expressão.

Amanda Berry, de 27 anos, Gina DeJesus, de 23, e Knight desapareceram na zona oeste de Cleveland entre 2002 e 2004. Elas foram encontradas em 6 de maio por vizinhos que ouviram gritos de Berry pedindo socorro dentro da casa de Castro.

Berry tem uma filha de 6 anos de Castro, gerada em cativeiro, de acordo exame de DNA.

A criança teve uma vida “normal”, disse Castro. Ele descreveu a menina como sua “criança prodígio”. O único momento em que ele ficou emocionado foi quando falou sobre ela.

“Eu ouvi que posso apresentar ação sobre os direitos parentais”, disse Castro ao juiz, que respondeu que não seria permitido qualquer contato com a menina.

No início da audiência, o Ministério Público apresentou provas gráficas dos crimes, incluindo uma réplica da casa onde ele aprisionou as mulheres. Havia também fotos do interior da casa mostrando correntes, tábuas nas janelas, várias fechaduras e cortinas separando os quartos.

Um policial descreveu como Knight tinha se jogado nos braços de um guarda quando ela percebeu que ele estava lá para resgatá-la.

 

Loading...
Revisa el siguiente artículo