Ex-soldado se livra da acusação de "ajuda ao inimigo"

Por Carolina Santos
Manning está detido desde 2010 | Gary Cameron/ Reuters Manning está detido desde 2010 | Gary Cameron/ Reuters

O ex-soldado Bradley Manning, responsável por vazar documentos secretos da diplomacia americana ao site WikiLeaks, foi inocentado da acusação de “ajuda ao inimigo” em uma corte marcial dos Estados Unidos. O jovem, porém, foi condenado por outros 19 crimes e pode pegar até 136 anos de prisão.

A acusação de traição era a mais dura contra Manning, e sua absolvição chegou a ser vista de forma positiva por alguns ativistas. “É um pedaço de boa notícia. Se fosse condenado, haveria sérias implicações futuras para outros denunciantes”, disse Trevor Timm, diretor da Freedom of the Press Foundation.

Ainda assim, Timm afirmou estar muito preocupado. Manning foi considerado culpado de seis acusações de espionagem, embora o governo não tenha conseguido provar que as denúncias do ex-soldado foram danosas ao país. “Este é, definitivamente, um dia obscuro para os denunciantes americanos.”

Michael Kohn, presidente do Centro Nacional de Denunciantes dos EUA, criticou o uso da lei de espionagem na decisão. “O que você tem é uma situação na qual um indivíduo é confrontado com dúvidas sobre se seu país está fazendo a coisa certa”, argumentou.

Manning foi protagonista do maior vazamento de documentos sigilosos da história dos EUA. O material trazia informações sobre o envolvimento do país nas guerras do Afeganistão e do Iraque.

Recado

A decisão da corte marcial também foi um recado para outros dois ativistas que deram dor de cabeça ao governo americano: Edward Snowden e o próprio fundador do WikiLeaks, Julian Assange.

O site avaliou a condenação como “um extremismo perigoso da segurança nacional por parte do governo Obama.” Para Assange, que está há mais de um ano refugiado na embaixada do Equador em Londres, o caso demonstra a necessidade de proteção das fontes jornalísticas.

Além da condenação pelos crimes de espionagem, Manning foi considerado culpado de acusações de roubo, fraude e infrações militares.

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