Trem estava a 190 km/h ao entrar na curva na Espanha

Por Tercio Braga

O trem que se acidentou nas proximidades de Santiago de Compostela, no noroeste da Espanha, viajava a 190 km/hora quando descarrilou. A informação foi dada pelo próprio operador da composição, que, segundo o jornal “El País”, teria anunciado a velocidade pelo rádio.

A imprensa local também menciona a marca. O “La Voz de Galícia”, que teve acesso à caixa preta, relata que, pouco antes do acidente, em uma reta, o trem estava a 200 km/hora, velocidade permitida. Na hora de entrar na curva, porém, o trem teria reduzido apenas 10 km/hora.

O operador, Francisco José Garzón, teve ferimentos leves e estava internado, sob custódia da polícia. Segundo a companhia ferroviária Renfe, Garzón tinha mais de 30 anos de experiência e trabalhava nessa linha desde o ano passado. Ele deve ser ouvido pelos investigadores nesta sexta.

Falha humana?

A maioiria dos técnicos concorda que o acidente parece ter sido provocado por um erro do operador, embora seja necessária uma longa apuração.

“A Renfe garantiu que o trem não teve problemas técnicos, mas, por outro lado, os condutores costumam ser muito bem treinados”, comenta Christian Wolmar, um especialista britânico em ferrovias. “É muito improvável que o descarrilamento tenha ocorrido por desleixo do operador”, ponderou.

A composição levava 247 passageiros. Oitenta morreram e 94 ficaram feridos. Entre os internados, há 35 pessoas em estado grave.

País decreta luto oficial de três dias

Enquanto as autoridades ainda trabalhavam para identificar os mortos, os espanhóis  digeriam os números da tragédia. Foi o maior desastre férreo no país desde 1944.

O governo decretou luto de três dias e recebeu condolências de todo o mundo. No Rio de Janeiro, onde participa da Jornada Mundial da Juventude, o papa Francisco pediu que todos rezem pelas famílias das vítimas.

O Itamaraty manifestou “solidariedade aos familiares, bem como ao povo e ao governo da Espanha.”

Falando à nação, o rei espanhol, Juan Carlos, pediu união aos espanhóis e afirmou ter confiança na apuração das circunstâncias do acidente. 

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