Nissan Kicks: um japonês que fala nossa língua

Por Eliane Quinalia
Nissan Kicks: um japonês que fala nossa língua

À primeira vista o Nissan Kicks, agora fabricado no Brasil, se destaca pela beleza. As ondulações e volumes nas linhas dianteira e traseira dão fluidez ao design. O interior, entretanto, não mudou em relação ao antecessor importado do México. Segue confortável apenas para dois adultos e uma criança no banco traseiro. Os bancos, aliás, são anatômicos e foram desenvolvidos em conjunto com a Nasa.

Ligeiramente maior que o Jeep Renegade, o Nissan Kicks tem praticamente as mesmas medidas do Honda HR-V, mas o bom porta-malas do SUV da Nissan é cerca de 50% maior que o de um de seus concorrentes. A nacionalização da produção possibilitou a Nissan oferecer uma versão menos cara, a S, vendida por R$ 70.500. A versão testada pelo Auto Papo é a mais completa, a SL, por R$ 94.600.

Produzido na planta de Resende (RJ), o Nissan Kicks realmente fala a nossa língua e entende nossos defeitos. O SUV encara as mal conservadas vias brasileiras  numa boa. Ao contrário dos concorrentes, que são muito duros, a suspensão do Kicks oferece suavidade e curso longo. Outro ponto positivo é que se sai muito bem em quebra-molas e rampas de garagens íngremes.

O motor trabalha silenciosamente em todas as rotações. Parece não fazer muita força para impulsionar o veículo. Apesar de a potência não ser elevada, uma vez que a carroceria é mais leve que a de seus principais concorrentes, os 114 cv do motor 1.6 flex permitem boa relação peso/potência com desempenho satisfatório, porém sem qualquer pretensão esportiva.

O acerto da transmissão automática CVT da versão testada proporciona bom desempenho no trânsito urbano e na estrada. Apenas nas retomadas o veículo é lento e demora a recuperar a velocidade. Como não há possibilidade de mudanças manuais (nem pela alavanca do câmbio e muito menos por borboletas no volante)  para maior esperteza pode ser acionado o modo “sport” em um botão praticamente invisível na parte de trás do pomo da alavanca.

Mas se for necessária uma redução rápida em situação de risco, pode ser acionada a posição “L” (de “Low”) que o giro do motor sobe imediatamente e as reações ficam nervosas. Uma questão que merece atenção: ao aliviar o pé após ter pisado fundo o veículo costuma acelerar ainda mais por alguns instantes, o que assusta.

Enfim, não há sobras ou faltas, resultando em uma proposta racional. A confortável posição de dirigir, junto à direção elétrica leve, mas na medida, se somam ao silêncio do motor. Apesar das respostas lerdas, o casamento com a transmissão CVT é sem solavancos e levam a uma direção tranquila.

Porém, o conjunto poderia ser ainda melhor com a disponibilidade de sistemas de segurança passiva já comuns em veículos compactos, como supervisão de pontos cegos, auxiliar de manutenção de faixa de rolamento e o controle automático de velocidade de cruzeiro.

O acabamento interno é bem feito, mas excetuando-se a região frontal do painel revestida em couro com bonita costura, assim como parte do forro das portas estofados, o restante é em plástico duro.

Faltam saídas de ar condicionado e tomadas USB para os passageiros traseiros. A versão testada, a SL é a mais completa, e tem como destaques de conteúdo o sistema de câmeras que mostram todos os obstáculos ao redor do veículo como se o motorista estivesse olhando por cima do carro. Tem ainda painel de instrumentos com tela LCD onde é possível escolher as informações a serem exibidas. Outros itens são: ar condicionado digital, chave presencial, auxiliar de partida em rampas, assentos em couro, retrovisores com rebatimento automático e multimídia com tela touch de 7 polegadas.

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