Motoristas ensinam que a principal atitude no trânsito é ter respeito pelo próximo

Com mais de 60 anos no volante, Benedito Maury Fernandes nunca teve nenhuma multa /Gabriel Lordêllo/ Mosaico Imagem
Motoristas ensinam que a principal atitude no trânsito é ter respeito pelo próximo
Por: Metro Jornal Espírito Santo

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, motorista que perder 20 pontos na carteira no período de 12 meses tem a habilitação suspensa. Muitos não conseguem fechar esse ciclo sem perder ao menos um ponto. Imagine ficar seis décadas atrás de um volante e nunca ter cometido nenhuma infração de trânsito?

Benedito Maury Fernandes, perto de completar 86 anos de vida, ainda se lembra bem de como foi tirar a sua primeira habilitação, em maio de 1950. Quase 70 anos depois, ele está entre um seleto grupo de condutores que nunca infringiu uma lei de trânsito. Atitude digna de premiação. E ele  conseguiu:  ganhou o prêmio de “Bom Condutor” durante o I Seminário de Trânsito e Cidadania no ano passado, realizado pelo Detran-ES (Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo).

Para o veterano do volante, ser um bom motorista não tem mistério. E sua receita é simples: aplicar as leis de trânsito e ter consideração pelo próximo.

“Hoje parece que a pessoa só se preocupa com as regras de trânsito na hora de tirar a habilitação. Depois que passa na prova, faz questão de se esquecer de tudo, se julga autossuficiente e acha que não precisa aprender nem seguir mais regra alguma”, comenta Fernandes.

De pai para filha
Segundo esse ex-soldado do Exército, para ser um bom motorista não basta apenas saber as regras e ter boa técnica no volante. O principal é ter respeito pelo próximo. Atitude, que segundo ele, se aprende em casa. Tanto que fez questão de repassar toda a retidão moral que aprendeu com os pais para a filha.

“Antes mesmo de ela tirar a habilitação, eu já falava para prestar atenção e respeitar a sinalização, não correr, deixar distância para o carro da frente. E ela aprendeu direitinho. Sônia tem carteira há mais de 40 anos e também nunca foi multada”, diz o aposentado, sem esconder o orgulho da filha Sonia Fernandes Loureiro, de 62 anos, comerciante aposentada.

“Meu pai sempre foi um espelho para mim. Uma pessoa calma no volante, mostrando respeito pelo motorista que vai ao lado. Os pais devem ser uma fonte de bons exemplos, e o meu foi”, afirma Sonia.

Após 45 anos de carteira de habilitação, ela, que também foi homenageada, tem uma certeza sobre a formação dos motoristas: “A autoescola ensina o jeito de fazer, mas a pessoa tem que ter a raiz das boas maneiras e do respeito. Isso se aprende dentro de casa”, conta. Já o pai reforça: “Um ato simples, como dar seta antes de mudar de direção, é algo totalmente ignorado.”

Além de Benedito e da filha Sônia, outros 30 motoristas com mais de 60 anos foram homenageados pelo órgão por terem mais de 25 anos de habilitação, mas nenhuma infração de trânsito. Para o diretor-geral do Detran-ES, Romeu Scheibe Neto, esses condutores merecem todas as honras pela aula de cidadania que dão.

“Eles servem de exemplo para suas famílias e para toda a sociedade. Eles têm muito a nos ensinar, e suas experiências podem transformar o pensamento dos motoristas mais jovens.”

adjalmagrecodetrangabriellordello0005.jpg Durante décadas, o trânsito foi o local de trabalho de Adjalmo Greco
Gabriel Lordêllo/ Mosaico Imagem

O trânsito foi seu escritório
Poucas pessoas conhecem as ruas tão bem como o senhor Adjalmo Greco. Ele tirou sua primeira habilitação em abril de 1953. Aos 82 anos de vida e 63 anos habilitado, não larga o volante.

Ficar a vida inteira sem levar uma multa se torna um feito ainda maior se considerarmos que ele trabalhou a vida inteira como motorista profissional. Um grande motivo para se vangloriar. Mas esse sentimento não existe para esse senhor, já que, na opinião dele, não fez nada de extraordinário.

“Não sou nem me considero melhor do que ninguém. Apenas sigo as leis de trânsito. Isso é o básico. Foi o que eu aprendi em casa com meus pais: seguir as regras”, diz ele.
Era uma época bem diferente de hoje, como gosta de ressaltar: “Quando tirei minha primeira habilitação, pouquíssimos carros circulavam pelas ruas”, conta o aposentado.

“Dois meses após tirar a carteira, comecei a trabalhar na prefeitura como motorista. Foram 40 anos de trabalho, sempre no volante. Dirigi de tudo: carro de passeio, jipe, caçamba, transporte de carne, e nos últimos anos, caminhão de lixo”, relembra ele, que tem Habilitação de categoria C.

Para todo lugar que precisa ir, pega as chaves do carro e parte para encarar as vias. Com toda experiência, Adjalmo afirma que o trânsito é uma responsabilidade de todos.

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