Disparada no preço do arroz, óleo e outros itens da cesta básica assustam consumidor

Por Narley Resende - BandNews FM

A disparada nos preços do arroz, do óleo de cozinha e de outros produtos da cesta básica, fez a ProconsBrasil (Associação Brasileira de Procons) pedir ao ministro da Economia, Paulo Guedes, o monitoramento das exportações para garantir o abastecimento interno.

O dólar mais caro faz com que os produtores aumentem as exportações e deixem o mercado interno em segundo plano. O resultado é o preço mais alto nas prateleiras dos brasileiros. Os consumidores reclamam de aumentos que chegam a 100% em alguns produtos.

A dona de casa Paula Lopes afirma que alguns preços dobraram desde início da pandemia. "Estávamos pagando em torno de R$ 2,50 no óleo. Agora, no sábado, ele estava por R$ 5,60, a mesma marca! O arroz teve um aumento de R$ 10 do início da pandemia para cá. O leite e derivados em geral estão um absurdo", diz.

Paula conta que o custo semanal da família no mercado aumentou em pelo menos 35%, mesmo abrindo mão de itens que antes faziam parte das compras. "Gastava em torno de R$ 180,00 para passar a semana. Agora, não gasta menos de R$ 250,00 e isso segurando muito os custos", lamenta.

A dona de casa Simone Leite, que tem uma família do mesmo tamanho, com duas crianças de dois adultos em casa, precisa se virar com menos da metade do que Paula consegue gastar por semana. "Eu gasto mais ou menos R$ 100. Nesta semana, fui comprar o básico, básico mesmo, e não deu", pontua.

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Com redução do valor do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300, Simone diz que não sabem como serão as compras dos próximos meses. "O governo baixa a nossa renda, baixa os nossos benefícios e no mercado está tudo um absurdo. O arroz a gente pagava R$ 10 e agora paga R$ 22. Para nós, que somos pobres, é um absurdo", reclama.

Os produtos da cesta básica estão 15% mais caros – bem acima da inflação do período, que foi de 2,5%. O economista Sandro Silva, do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), sugere que o governo adote uma regulação na exportação durante a crise.

"Aumentar a tributação sobre esses produtos que são exportados. O governo dá incentivos fiscais, reduz imposto para exportar e deixa o país sem produtos básicos. Tem que desestimular a exportação, principalmente para os produtos básicos para a população", recomenda.

Já o economista, Daniel Duque, pesquisador da FGV (Fundação Getúlio Vargas), diz que a intervenção do Estado pode causar consequências imprevisíveis. Para ele, o governo precisa adotar uma política para atrair de volta os investidores.

"Gerar as condições para que o Real se valorizasse novamente, pelos menos aos valores do início do ano. No entanto, a gente tem várias questões tanto econômicas quanto políticas que fazem com que os investidores, quem realmente transaciona dólar por aqui, esteja tirando dinheiro daqui, o que eleva o preço do dólar para a gente", explica.

Nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que está conversando com representantes de grandes redes de supermercados para tentar evitar uma alta maior nos produtos da cesta básica. Os economistas ouvidos pela BandNews FM afirmam que uma eventual adesão teria impacto quase nulo nos preços.

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