Charlie Hebdo republica charges sobre Islã em edição especial sobre atentado

Julgamento da dupla de irmãos que invadiu e atirou contra a redação do jornal satírico começa na quarta-feira (2)

Por Metro Jornal com Ansa

Na véspera da abertura do processo judicial sobre o massacre em sua redação, o jornal satírico francês Charlie Hebdo republicou as charges do profeta Maomé que o colocaram na mira de um grupo terrorista.

"Tudo isso por causa disso", diz a capa da nova edição do semanário, divulgada nesta terça-feira (1º), mas que chega às bancas na quarta (2), dia do início do julgamento. "Jamais abaixaremos a cabeça", garantiu o diretor do Charlie Hebdo, Laurent "Riss" Sourisseau, sobrevivente do ataque de 7 de janeiro de 2015.

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A capa mostra 12 charges publicadas inicialmente pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten, em 2005, e depois pelo Charlie Hebdo, em 2006. Os desenhos desencadearam uma onda de fúria entre países de maioria muçulmana.

A nova edição do satírico francês ainda exibe uma charge de Maomé feita pelo cartunista Cabu, que perdeu a vida no massacre de 2015.

O atentado foi cometido pelos irmãos Said e Chérif Kouachi, que invadiram a redação do jornal satírico armados com metralhadoras e assassinaram 11 pessoas, incluindo alguns dos principais cartunistas da publicação.

Ao deixarem o prédio, os Kouachi ainda mataram um policial muçulmano, Ahmed Merabet, que estava deitado ferido na calçada.

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Os disparos perpetrados por Said e Chérif instauraram um clima de terror na capital francesa, que se abrandaria ao longo do ano, antes de retornar com toda a força nos atentados de 13 de novembro, que tiraram as vidas de 130 pessoas.

Dois dias depois do ataque ao Charlie Hebdo, outro jihadista, Amédy Coulibaly, sequestrou um mercado kosher em Paris e matou quatro indivíduos. Antes disso, ele já havia assassinado uma policial durante uma troca de tiros. O saldo daqueles três dias de terror em janeiro de 2015 foi de 17 vítimas, sem contar os terroristas, todos mortos pela polícia.

O julgamento terá 14 indivíduos no banco dos réus, todos acusados de dar apoio logístico aos irmãos Kouachi e a Coulibaly. O processo estava previsto para começar no primeiro semestre, mas teve de ser adiado em função da pandemia de coronavírus.

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