Aluguel residencial pode ter reajuste de 13% em setembro; veja dicas para negociar

IGP-M acumula alta bem mais expressiva do que o IPCA, considerada inflação oficial do país

Por Luccas Balacci - Metro São Paulo

Aluguel de imóveis residenciais baseados no IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) e com aniversário em setembro podem ter alta de 13,02%. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (28) pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), a variação do indicador só no mês de agosto foi de 2,74%.

Para o reajuste do valor do aluguel, é considerado o acumulado dos últimos doze meses a partir do aniversário do contrato. O acumulado de 13,02% do IGP-M é bem mais expressivo do que o índice oficial de inflação do país, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), cresceu 0,23% em agosto e acumula 2,28% em 12 meses.

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O economista e diretor de operações da Capital Social Contabilidade e Gestão, Leandro Batista de Oliveira, explica que os indicadores medem coisas distintas. “O IPCA vai medir uma cesta de itens de alimentação, de serviços rotineiros, de beleza, entre outros que estão mais na nossa rotina. Já o IGP-M mede os bens para a produção, como matérias primas e commodities, que são consumidos pelas empresas.”

Já a grande diferença entre os dois índices, segundo o especialista em finanças, acontece pela influência que a cotação do dólar tem no IGP-M. “Os bens analisados neste caso tem uma relação muito direta com o dólar. Então toda a vez que o dólar sobe, os bens para as empresas também sobem.”

Nos últimos 12 meses, o dólar comercial estadunidense valorizou 30,3% em relação ao real. Nesta sexta, a moeda fechou a cotação em R$ 5,41 – queda expressiva de quase 3%.

Negociar aluguel é o caminho

Ao encarar um acumulado de 13,02% do IGP-M, tanto locador quanto locatário precisam ser flexíveis e saber dialogar para encontrar uma alternativa ao modelo atual de contrato. Oliveira lembra que as duas partes podem ter sido prejudicadas pela pandemia de covid-19, por isso uma sugestão é negociar o reajuste por outro índice.

“O IPCA, por exemplo, tem muito a ver com o que ambos estão sentindo na prática, no sentido da inflação. É uma sugestão que pode ser feita de maneira temporária, sem deixar de atender o reajuste ao locador e sem pesar tanto para o locatário”, explica.

Para o economista, uma outra opção, caso a negociação não se efetive, é considerar uma troca de imóvel, encerrando o contrato atual – dependendo, claro, do valor de uma possível multa. “Muitos imóveis foram devolvidos com a crise, e em espaços não locados, a chance de conseguir uma negociação justa é maior.”

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