São Paulo pode estar perto de imunidade de rebanho

Por Vitor Lupato, da Rádio Bandeirantes com Metro Jornal

A chamada imunidade de rebanho, que ocorre quando a disseminação de uma doença é reduzida por uma rede invisível de proteção – que se dá de forma natural, com mais gente contaminada, ou por meio de vacina –, pode estar mais perto do que o esperado em São Paulo. As informações são da Rádio Bandeirantes.

Modelos matemáticos elaborados por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) indicam que isso ocorreria com a infecção de uma faixa entre 10% e 20% da população – em escala muito abaixo dos 50% a 70% inicialmente apontados como necessários.

A diferença, segundo os pesquisadores, é que os estudos iniciais consideram que o risco de infecção é o mesmo para todas as pessoas. Já o novo modelo pressupõe que o risco não pode ser homogêneo, já que envolve fatores biológicos e comportamentais.

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Doutorando do Instituto de Ciências Biomédicas, Rodrigo Corder disse haver sinais de que o estado está próximo da imunidade coletiva. “Se os casos já estão em queda e não voltam a subir, mesmo após o relaxamento das medidas de controle, isso é evidência de que a localidade está próxima de atingir a imunidade coletiva. Os inquéritos sorológicos da Prefeitura de São Paulo já indicam algo nessa faixa, de 10% a 15% da população infectada.”

O governo de São Paulo confirmou na segunda-feira uma queda no número de óbitos pela segunda semana consecutiva. A redução nos últimos sete dias foi de 9% no estado e de 19% na capital. A taxa de ocupação das UTIs está abaixo dos 60%.

Outros estudos internacionais também sugerem que a imunidade de rebanho possa ser alcançada com proporções menores de infectados.

Os críticos destes trabalhos, porém, dizem que a falta de informações sobre a covid-19, como o poder de resposta do corpo contra a doença, e a diferente dinâmica das cidades não permitem afirmar que há um percentual seguro para sugerir a imunidade coletiva.

Manaus também é vista com otimismo

Cidade que experimentou o pico da pandemia em maio, quando esteve perto do colapso do sistema de saúde, Manaus, capital do Amazonas, também pode estar perto da imunidade de rebanho, segundo os pesquisadores. Lá, o número de casos vem caindo e a economia e parte das escolas estão abertas. Apesar disso, o prefeito Arthur Virgílio (PSDB) – infectado pela covid-19 –, não crê em imunidade de rebanho. “Não sabemos quando tempo dura a imunização e ainda não conhecemos o vírus”, disse ontem em entrevista à Rádio Bandeirantes. Para o pesquisador Rodrigo Corder, o fato de o estudo sugerir um índice menor de infectados para a imunidade coletiva não diminui a importância das ações de saúde para conter a covid-19. “Se algum gestor defende a imunidade coletiva como política pública ele está equivocado”, disse à Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).  

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