Europa confirma reinfecção por coronavírus

Por Letícia Bilard - Metro Jornal

Depois de relatório anunciado por cientistas de Hong Kong nesta segunda-feira, outros dois hospitais, um na Bélgica e  outro na Holanda, também confirmaram ter pacientes reinfectados pelo novo coronavírus.

Assim como o primeiro doente reportado, esses dois episódios tiveram o vírus estudado e sequenciado rigorosamente, o que permitiu afirmar que trata-se de linhagem diferente do vírus responsável pela infecção anterior.

Os anúncios têm levantado preocupações  a respeito da duração da imunidade, mas as autoridades de saúde têm preferido adotar um tom mais cauteloso.

À Reuters, o virologista belga Marc Van Ranst explicou que os casos de reinfeção podem ser considerados exceções, mas que outros podem aparecer ao longo das próximas semanas.

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“Vírus passam por mutações, e isso significa que uma vacina em potencial não será uma vacina que durará para sempre. Como a gripe, isso terá que ser reprojetado com muita frequência”, afirmou o virologista.

De acordo com a porta-voz da OMS (Organização Mundial da Saúde), Margaret Harris, tratam-se de pouquíssimos casos na amostra de pacientes. “Estamos diante de um caso documentado em mais de 23 milhões de casos confirmados”, disse Harris ao afirmar que a aprovação de uma vacina efetiva contra a covid-19 irá tornar a imunidade mais resistente.

“Quando você estimula a proteção imune com uma vacina, está fazendo um estímulo muito específico de imunidade, e muito da avaliação de uma vacina é para assegurar que a imunidade que você estimulou realmente protege. Anos, e anos e anos de acompanhamento é que dizem por quanto tempo a imunidade dura”, explicou a porta-voz.

No Brasil, o  HC-FMUSP (Hospital das Clínicas de São Paulo) anunciou ontem que analisa sete pacientes que podem ter se reinfectado.  

Entrevista com Evaldo Stanislau 

Infectologista do HC-FMUSP e integrante da diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia

O que é esta reinfecção?

Ainda não sabemos o que é esse fenômeno e tudo o que diz a respeito a covid-19 é novo. Mas é preciso tomar cuidado para não banalizar este termo [reinfecção] porque pode parecer que trata-se de algo frequente e não é. Tanto que está começando a ser descrito agora e são pouquíssimos casos diante de tantas pessoas infectadas. Sempre falamos que os pacientes de covid-19 desenvolvem imunidade, mas que não sabemos quanto tempo esta imunidade dura e, provavelmente, estes pouquíssimos casos, se confirmados, são de pacientes que perderam sua capacidade de defesa ao vírus Sars-Cov-2. O porque perderam ou porque se reinfectaram ainda é objeto de estudo.

Isso é considerado raro se usarmos a amostra de pessoas infectadas?

Isso não é raro, é raríssimo. É absolutamente a exceção da exceção.

O que isso altera no contexto da pandemia?

Isso já era esperado, mas não muda o cenário global da pandemia ou estratégias. Não muda, inclusive, a recomendação para que as pessoas que já tiveram covid-19 continuem com cuidados preventivos.

Estes casos afetam as vacinas em desenvolvimento?

Existem múltiplas vacinas em desenvolvimento e, quando desenvolvidas, poderemos atuar em várias frentes. Não sabemos como será o esquema vacinal, se trabalharemos com um ou mais tipos de vacina, mas a exemplo de outras vacinas atuais, a gente pode optar até por fazer mais de uma dose. Mas, neste primeiro momento, as vacinas deverão ser efetivas e estes reportes raríssimos e excepcionais não impactam no desenvolvimento. 


Esse comportamento de reinfeção é visto em outras doenças, como a gripe?

Diferentemente do vírus da gripe, o Sars-Cov-2 não teve mutação até então significativa e que  permita que ele ‘escape’ da vacina. Provavelmente, estas infecções são queda de anticorpos e não por mutações virais.


Com Supervisão de Vanessa Selicani

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