Temor sobre risco fiscal segue, dólar descola do exterior e fecha a R$ 5,6150

Por Estadão Conteúdo

O dólar escalou até a marca dos R$ 5,6340 durante a segunda etapa da sessão de negócios desta quarta-feira, 26, sendo impulsionado por renovadas apreensões em relação às perspectivas negativas sobre as contas públicas do País e a volta de rumores sobre a permanência do ministro da Economia, Paulo Guedes, no cargo – que acabaram sendo, mais uma vez, desmentidos.

O movimento de alta foi descolado do desempenho do dólar no exterior, onde os pares do real mostravam perdas comedidas e, em alguns casos, até valorização ante a divisa americana. Ao final da sessão, o dólar à vista fechou com alta de 1,59%, cotado a R$ 5,6150.

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O dólar amanheceu em queda, ainda trazendo um pouco da realização vista na sessão da véspera. Mas ainda pela manhã inverteu a trajetória para a alta, diante de declarações do presidente Jair Bolsonaro, que criticou publicamente a proposta do Renda Brasil, apresentada a ele pela equipe econômica esta semana. Bolsonaro afirmou que o projeto está suspenso e que não vai "tirar (recursos) dos mais pobres" para abastecer o novo programa, apresentado como substituto do Bolsa Família.

Segundo o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) apurou, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ao presidente que, para chegar ao benefício médio de R$ 300, como quer Bolsonaro, é preciso cortar deduções de saúde e educação do Imposto de Renda e até mesmo do abono salarial. Bolsonaro deu prazo até sexta-feira, 28, para que Guedes apresente uma nova proposta.

O estrategista-chefe da Infinity Asset, Otávio Aidar, lembra que têm havido divulgações de dados econômicos muito positivos, melhores do que esperado, mas, ainda assim, o medo com o desarranjo fiscal do País predomina nas decisões dos investidores. "Todo mundo no mercado sabe que o pessoal do Ministério da Economia é muito bom e sabe fazer conta. Sendo assim, se eles falam que não dá para chegar aonde o presidente quer, é porque não dá", ressaltou.

Aidar chama a atenção para os riscos de sair da crise "com as torneiras abertas". "A crise de 2008 deveria ser um exemplo do que não fazer, pois lá o governo brasileiro abriu a torneira e depois não conseguiu fechar", afirma ele, indicando que, hoje, a relação dívida bruta/PIB do Brasil está em 84%, com sério risco de chegar a 100% do Produto Interno Bruto (PIB). Já emergentes como Índia estão com 70% e México, 54%.

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