Após uma manhã em baixa, cotação do dólar aumenta frente ao mercado internacional

Por Estadão Conteúdo

O cenário de incerteza no exterior, com a volatilidade inerente à aproximação das eleições nos Estados Unidos, e no Brasil, com o que é percebido como ameaça fiscal pela possibilidade de burlar o teto de gastos, fez o investidor buscar refúgio no dólar nesta segunda-feira, 10. Depois de passar a manhã em queda frente ao real, atingindo a mínima do dia nos R$ 5,3532, a divisa americana engatou uma trajetória de alta na etapa vespertina dos negócios para subir a R$ 5,4663 no fechamento, a maior desde 22/05/2020 (R$ 5,5797).

"Grande parte desta alta vista hoje vem com impulso de fora. Há um cenário incerto sobre o que pode ocorrer com a economia americana. Mas há questões domésticas também, como o fato de o Copom ter deixado a porta aberta para mais cortes, vamos ver a ata da reunião amanhã (terça-feira), e as preocupações fiscais", avalia Bruno Musa, sócio da Acqua Investimentos, ressaltando que a possibilidade do teto de gastos ser burlada é algo que tem sido olhado com muita atenção pelo mercado. "Já sabemos que os fundamentos macroeconômicos foram dilacerados e a grande atenção é como reverter a trajetória da dívida".

Segundo Musa, existe uma busca por dólar, com os clientes enviando recursos para investir no exterior e também elevando o porcentual de suas carteiras em moeda mais forte.

Durval Corrêa, assessor financeiro da Via Brasil Serviços Empresariais, complementa que, com o cenário de incertezas – com as eleições americanas e a disputa entre Estados Unidos e China, o dólar ainda é o refúgio tradicional para onde estão indo os investidores. "Há uma pressão compradora mais forte, mostrando tomada de posição de retaguarda ainda mais com a questão do déficit fiscal e as questões da reforma tributária, que têm trazido alguma instabilidade no Brasil", diz.

A animosidade entre EUA e China seguiu aumentando nesta sessão. Autoridades americanas foram hoje ao Twitter para se manifestar contra a prisão de Jammy Lai, editor do jornal Apple Daily, de Hong Kong, com base na lei de segurança nacional imposta pela China à ex-colônia britânica. O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, escreveu: "A prisão de Jimmy Lai em Hong Kong é profundamente ofensiva e uma afronta às pessoas que amam a liberdade em todo o mundo". Mais cedo, foi o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, que se pronunciou: "Estou profundamente preocupado com os relatos da prisão de Jimmy Lai pela draconiana Lei de Segurança Nacional de Hong Kong. Outra prova de que o Partido Comunista da China eviscerou as liberdades de Hong Kong e corroeu os direitos de seu povo", publicou Pompeo em seu Twitter.

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