Como a Selic a 2% ao ano afeta seu dinheiro

Por Metro Jornal

Com a intenção de ajudar a reaquecer a economia neste período de pandemia do novo coronavírus, na última quarta-feira, dia 5 de agosto, o Copom, do Banco Central, retraiu a Selic para 2% ao ano com mais um corte residual de 0,25 ponto percentual nos 2,25% em vigor até então – essa foi, inclusive, a 9ª rodada consecutiva de redução. O resultado prático disso é que os investimentos em renda fixa, que acompanham de perto a taxa básica de juros, perdem considerável atratividade.

Apesar de ser um assunto complexo, a conta é direta para quem quer guardar seu rico dinheirinho. Se a pessoa tem esses tipos de investimentos e a Selic está alta, a rentabilidade é maior. Mas, se ela cai, o rendimento cai junto. Com a taxa a 2% ao ano e a inflação na casa de 1,63%, a diferença fica em 0,37%. Ou seja, os investimentos de renda fixa são bastante impactados.

“Essa queda vai afetar principalmente aplicações de renda fixa, que vão passar a gerar menos dinheiro. Poupança, Tesouro Direto, CDB [Certificado de Depósito Bancário] e LC [Letras de Câmbio] indexados ao CDI [Certificado de Depósito Interbancário], por exemplo, que acompanham a Selic, são impactados instantaneamente”, explica Rafaela Silveira, especialista em investimentos da Magnetis Gestora de Investimentos. A profissional explica que, se a opção for por esse investimento mais conservador, ainda que não seja o ideal para o momento, o melhor é diversificar nas possibilidades existentes de renda fixa com prazos previamente definidos.

Além disso, como estão cada vez mais incapazes de acompanhar a inflação, essa modalidade deve funcionar como alternativas de reserva de emergência.

“A renda fixa continua tendo seu papel em caráter de liquidez, sendo um valor que precisa estar disponível para cobrir os imprevistos”, pondera Rafaela.

Entretanto, a expectativa do mercado é de que, no atual cenário, a exposição ao risco aumente entre os brasileiros. “Um ambiente de juros mais baixos tende a ser mais benéfico àqueles investidores mais propensos a aplicações mais agressivas como ações, por exemplo, quando olhamos no médio e longo prazo. Há oportunidades na bolsa, considerando principalmente as empresas mais sólidas”, observa Paulo Cunha, sócio-fundador da iHUB Investimentos.

Isso porque, analisam os especialistas, se por um lado o novo corte da Selic mostra que a economia precisa de mais esse estímulo, por outro a taxa mais baixa sinaliza que os juros devem demorar mais para voltar a subir, um indicador positivo para quem pretende aumentar posições em aplicações em renda variável de maior risco.

O que é, onde vive, como se reproduz…

Selic é uma sigla, abreviação de Sistema Especial de Liquidação e Custódia

É a taxa básica de juros da economia no Brasil, utilizada no mercado interbancário para financiamento de operações com duração diária lastreado em títulos públicos. Na prática, é um sistema utilizado pelo governo, a cargo do Banco Central do Brasil, para inspeção na emissão, compra e venda desses títulos. Isso porque o BC determina que as instituições bancárias devem fechar o dia com o caixa equilibrado. O objetivo é evitar excesso de dinheiro em circulação e, assim, controlar a inflação

A cada 45 dias, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, se reúne para avaliar a quantas anda a atividade econômica do país e se a inflação está controlada. A partir dessas análises, é definida uma meta para a Selic. Ela, contudo, serve de referência para as demais taxas da economia

Basicamente, a taxa Selic é resultado do cálculo da taxa média ponderada dos juros praticados pelas instituições financeiras

A Selic serve como uma espécie de termômetro da economia, uma vez que suas alterações acabam movimentando o mercado como um todo

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