Consumidores ainda continuam recebendo ligações de telemarketing, apesar de bloqueio

Por Vanessa Selicani - Metro Jornal

Muita coisa mudou no novo normal da quarentena provocada pela covid-19. Máscaras, álcool em gel, home office, educação à distância. Outras, infelizmente, não só são as mesmas, como pioraram, e muito: as insistentes ligações de telemarketing.                                     

De acordo com levantamento do Procon-SP, foram 31,6 mil queixas entre janeiro e julho deste ano de pessoas que têm o número cadastrado na lista de bloqueio disponibilizada pelo órgão, mas que mesmo assim continuam a receber os telefonemas indesejados. O aumento na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram recebidas 18 mil reclamações, é de 75%.

A procura de pessoas que querem ter seus números incluídos no “Não Me Ligue” também foi grande. O banco de telefones, que conta atualmente com 2,6 milhões de inscritos, ganhou outros 400 mil no período.

O serviço existe desde 2009 no órgão de defesa do consumidor e abrange principalmente telemarketing ativo, com o objetivo de vender novos serviços e produtos. Ficam liberadas ligações de cobrança, pós-venda e entidades filantrópicas.

Entre as empresas que lideram a lista de desrespeito ao não perturbe estão as de serviços de TV por assinatura e internet, seguidas pelas que oferecem telefonia, bancos e as de atendimento médico popular.

Para o diretor-executivo do Procon-SP, Fernando Capez, o isolamento social fez disparar a propaganda agressiva via telemarketing.  “As empresas estão começando a adotar a comunicação a distância com maior frequência para se aproveitar do fato das pessoas estarem mais em casa. E claro, o consumidor começa a ser mais incomodado com esse tipo de publicidade.”

Ele afirma que estuda um aperfeiçoamento tecnológico do sistema de bloqueio, que barre automaticamente as ligações de telemarketing para quem não quiser ser perturbado. Atualmente, o banco de telefones deve ser consultado pelas empresas, que se comprometem a respeitá-lo sob risco de multa.

De acordo com Capez, o Procon-SP esteve concentrado no primeiro semestre do ano em ações de fiscalização voltadas para a pandemia do novo coronavírus, como valores abusivos do álcool em gel e do botijão de gás. Mas que as empresas que abusam do telemarketing estarão na mira nestes próximos meses.

“Levando em conta o potencial econômico das que lideram o ranking de desrespeito, as multas podem alcançar até R$ 10 milhões”, afirmou.

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