Falta de insumos básicos 'encalha' 9 milhões de testes de covid-19 no Ministério da Saúde

Por Metro Jornal com Estadão Conteúdo

No estoque do Ministério da Saúde, estão 9,85 milhões de testes do tipo RT-PCR parados há meses. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, que teve acesso a documentos internos do ministério.

O número de testes inutilizados é quase o dobro dos 5 milhões entregues até agora pelo governo federal a Estados e municípios pelo país. Segundo a pasta, os testes não estão sendo enviados pela falta de insumos e reagentes usados em laboratório para processar amostras de pacientes.

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O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) conta ainda que tais insumos não são entregues regularmente ou por completo pelo Ministério, que comprou os milhões de exames sem ter a garantia de que disporia dos reagentes necessários para processar os testes. A pasta afirma que enfrentou dificuldades para encontrar todos os insumos no mercado internacional, mas que está estabilizando a distribuição conforme recebe importações de fornecedores.

A pasta não explicou se recebeu algum alerta dos técnicos, durante o planejamento, sobre o risco de os testes ficarem parados pela falta de insumos. Também não informou quantos reagentes utilizados na etapa de extração das amostras foram entregues.

A falta destes insumos também gera um acúmulo de testes inutilizáveis nos estoques dos Estados e municípios, à espera de produtos que possibilitem seu processamento. Tal empecilho distancia o país da meta de exames para covid-19 estabelecida por governantes: técnicos do ministério chegaram a projetar que o País realizaria 110,5 mil testes por dia, mostra ata do Centro de Operações de Emergência (COE) da pasta, de 4 de junho. A média diária em julho, porém, foi de 15,5 mil exames, segundo último boletim epidemiológico da Saúde.

Apesar do atraso nos diagnósticos, o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, já minimizou a falta de testes. "Criaram a ideia de que tem de testar para dizer que é coronavírus. Não tem de testar, tem de ter diagnóstico médico para dizer que é coronavírus. E, se o médico atestar, deve-se iniciar imediatamente o tratamento", afirmou em entrevista à revista Veja no último dia 17.

A falta de testagem se reflete no alto número de casos sem diagnóstico adequado. Até 18 de julho, o Brasil registrou 441 194 internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), sendo 213.280 para covid-19. Há ainda mais de 80 mil internações em investigação e 141,6 mil classificadas como síndrome "não especificada".

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