11,8 mi de brasileiros estão em busca de um emprego, aponta PNAD

Por Vanessa Selicani - Metro Jornal

A retomada gradual dos serviços fechados por conta da pandemia do novo coronavírus levou mais pessoas a procurar emprego e pressionou a taxa de desocupados no país em junho. De acordo com a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) realizada pelo IBGE e divulgada na quinta-feira (23), o percentual de pessoas em busca de uma vaga subiu de 10,7% em maio para 12,4% no mês passado, atingindo 11,8 milhões de brasileiros. Mais 1,7 milhão de pessoas ficou sem emprego, na comparação entre os meses.

O diretor adjunto de Pesquisas do IBGE, Cimar Azeredo, afirma que a flexibilização teve impacto na força de trabalho, com redução no número de pessoas que aguardavam o fim da pandemia para procurar ocupação. A pesquisa mostra também que houve aumento no rendimento dos trabalhadores entre os meses (R$ 1.896 para R$ 1.944). “Esse é um dado positivo, porque indica que tivemos mais dinheiro proveniente de trabalho circulando em junho do que em maio. Esse dado indica reação do mercado.”

A professora de economia do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) Juliana Inhasz afirma que a tendência é que o índice de desocupados cresça. “Muita gente achou que a taxa ia subir logo no início da pandemia, mas as pessoas pararam de procurar no período e o índice ficou subestimado. Agora vamos ter de aguardar novos indicadores, como produção industrial e expectativa de consumo, para ter termômetro mais verdadeiro de como a economia está reagindo.”

O professor de economia da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Jefferson José da Conceição diz acreditar que a taxa de desocupação possa alcançar até 20% em meio a pandemia. “Estamos reabrindo com os casos da doença ainda altos, o que pode trazer insegurança e as cidades voltarem a fechar. Os dados do IBGE também indicam que o governo deveria tornar os auxílios aos trabalhadores permanentes.”

Ajuda emergencial

A PNAD revelou que 43% dos domicílios receberam em junho algum auxílio emergencial do governo relacionado à pandemia, seja os R$ 600 pagos a famílias carentes ou a complementação salarial de preservação ao emprego. A porcentagem representa 29,4 milhões de lares, 3,1 milhões a mais que no mês anterior.

Em estados como Amapá e Maranhão, a proporção de beneficiados foi superior a 65%.

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